SONHOS E ENCANTOS

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sábado, agosto 27, 2011

VIVIANE MOSÉ ---- POR FABRÍCIO CARPINEJAR


FILÓSOFA VIVIANE MOSÉ LAVA AS PALAVRAS

Escritora mostra sensibilidade e talento para poemas em duas obras

Por Fabrício Carpinejar*

Quase sempre, o poeta inicia o percurso pensando que sua vida rende poesia. Confunde a pulsão emotiva com o excesso biográfico. Conclui equivocadamente que basta sentir para escrever poesia. Mas sentir não faz poesia. Quem sente é poesia, não poeta. O poeta é o que não sente e se esforça para sentir. A emoção não apanha a realidade, apanha da realidade.


A poesia não é a própria vida, porém a vida em choque com a vida dos outros. Sua ausência devolvida na ausência próxima. O alheamento é intimidade; a observação, residência.


Sabe disso muito bem a filósofa e psicanalista Viviane Mosé, natural do Espírito Santo e radicada no Rio de Janeiro, que se tornou popular após apresentar o quadro Ser ou não Ser, do Fantástico (Rede Globo), onde explicava assuntos espinhosos da filosofia numa conversa simples e cotidiana. Ela se transfere com domínio para o outro. Realiza um translado lírico de vivência. Um empréstimo de casa, corpo e lugar. Sua ambição é estar fora de si.


Nos últimos dois anos, publicou: a bela antologia Receita pra Lavar Palavra Suja (Arte Clara, 2004, 91 págs.) e o lançamento Desato, a registrar suas performances poéticas em eventos como CEP 20.000 do Rio de Janeiro.


O desejo de experimentar a estranheza se revela :

“Desejei com toda força ser a moça do supermercado.
Aquela que fala do namorado com tanta ternura.
Mesmo das brigas ando tendo inveja.
Meu vizinho gritando com a mulher na casa cheia de crianças,
Sempre querendo, querendo, querendo.”

(Receita pra Lavar Palavra Suja, pág. 3)


4 comentários:

Aleatoriamente disse...

Leninha gostei muito desse texto.
Gostei também do teu comentário amada.
Eu ia adorar uma vozinha feito você.
Parece até que senti teu carinho.
Obrigada querida.
Beijinho

Helena Chiarello disse...

Fabrício Carpinejar sempre foi excelente em suas palavras! Não conheço o trabalho de Viviane, mas a definição que ele fez aqui, de poesia, é mágica!

Beleza de texto, Leninha!

Sempre gosto bem das tuas postagens, são ilustrativas, conceituais, formativas, reflexivas, ótimas!

Um beijo gigante, amiga querida!

mfc disse...

~Enquanto existir poesia... há esperança!

Calu disse...

Dois autores de peso, um a relatar a outra só poderia trazer esta narrativa impressionante que faz arder a curiosidade por ambos. Li Carpinejar algumas poucas vezes na web, e Viviane só em tbém poucas esplanações na TV. Mas já estou seduzida em "conversar" mais detidamente com cada um.
òtimo post, Leninha.
Bjos e boa semana,
Calu

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