SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

segunda-feira, março 26, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA





E o tempo,este implacável condutor de nossas vidas,passou,célere e inexorável... e vamos
 encontrar nossa menina,sem suas tranças,de cabelos rebeldes e quase indomáveis,na altura dos ombros...e era um tal de fazer touca(enrolar ao redor da cabeça,prendendo com grampos),passá-los a ferro ou enrolá-los com bobbies térmicos,verdadeiro suplício a que se submetia na esperança de tê-los lisos como de Judy Garland ou com ondas largas e sedosas como os da tia amada e idolatrada,salve ,salve...

Os bobbies,não sei se alguma de vocês conheceu,eram cheios de água e se colocados para ferver e enrolados ainda quentes nos cabelos,produziam belos cachos ou largas ondas em suas teimosas madeixas.O efeito era natural e domava aqueles rebeldes fios...e era muito cabelo para uma só cabeça,os braços doiam, mas o que não se fazia em nome da vaidade!!!
      Aos domingos,o passeio na praça João Pinheiro era sagrado...e andavam de braços dados as amigas,dando voltas à praça e os rapazes, na direção contrária, andavam do lado de fora do passeio e se encontravam,volta após volta.Era aí que surgiam os flertes que mais tarde se transformariam em namoro.Namoros estes que,um dia seriam noivados,durando geralmente uns quatro ou cinco anos,até o casamento.Muitas se casaram antes mesmo de se formarem,pois as meninas daquela época só almejavam

Praça João Pinheiro  Muriaé /MG
uma coisa na vida(salvo algumas exceções):casar e criar uma família enorme.
                                                     E o que dizer da moda nos idos anos cinquenta?Vestidos rodados e três a quatro anáguas,para garantir uma bela roda,franzidos ou godés.Anos 50 ,a época da feminilidade...
Com o fim dos anos de guerra e do racionamento de tecidos, a mulher dos anos 50 se tornou mais feminina e glamourosa, de acordo com a moda lançada pelo "New Look", de Christian Dior, em 1947. Metros e metros de tecido eram gastos para confeccionar um vestido, bem amplo e na altura dos tornozelos. A cintura era bem marcada e os sapatos eram de saltos altos, além das luvas e outros acessórios luxuosos, como peles e jóias.
Essa silhueta extremamente feminina e jovial atravessou toda a década de 50 e se manteve como base para a maioria das criações desse período. Apesar de tudo indicar que a moda seguiria o caminho da simplicidade e praticidade, acompanhando todas as mudanças provocadas pela guerra, nunca uma tendência foi tão rapidamente aceita pelas mulheres como o "New Look" Dior, o que indica que a mulher ansiava pela volta da feminilidade, do luxo e da sofisticação.
E foi o mesmo Christian Dior quem liderou, até a sua morte em 1957, a agitação de novas tendências que foram surgindo quase a cada estação.

E a mãe já não costurava para ela,tinha uma costureira que,obediente aos seus caprichos,fazia-lhe os vestidos quase no corpo.
E eram lindos vestidos,de tafetá,de laise,de algodão,de cetim,seda ou organdi suíço(os mais bonitos)...alguns eram bordados,outros tinham detalhes de renda guipure que os valorizavam
e transformavam em verdadeiras obras de arte
Mas não pensem que se faziam vestidos todas as semanas..havia a necessidade de um evento,de uma celebração,de um aniversário,ou alguma festa religiosa...e,lógico,no Natal e no Ano Novo.
E os sapatos...ela adorava ,mas só se podia comprá-los duas vezes ao ano.
       E a nossa menina,na sua roda da vida,brincava de ser mulher e sonhava com um príncipe que um dia viria buscá-la para,nas rendas de seu destino,encontrar o sonho tão sonhado,o sorriso vestido de azul e os cabelos penteados com libélulas e borboletas...nenúfares habitariam os lagos de sua vida...arco íris refletiriam suas cores em suas vidraças,suas portas estariam cerradas para não fugir a felicidade e os dias seriam feitos de luzes com arrebóis alaranjados e alvoreceres perolados.
 .

Um beija-flor passou por aqui e deixou um beijo para você amigo(a)querido(a).Estou indo mas voltarei,se Deus quiser.Bjssssssssssssssssss



segunda-feira, março 19, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA




          Natal,crianças brincando nas calçadas e mostrando os presentes,orgulhosas e felizes...não tem maldade,elas só querem mostrar que o Papai Noel atendeu aos seus pedidos e lhes trouxe a boneca tão sonhada,o jogo de raquetes,a bola de volley,pianinhos e pianolas de todos os tipos,carrinhos coloridos e as tão desejadas bicicletas,lindas Monarks vermelhas , com farol e buzina...não queriam muito as crianças desta época,nos longinquos anos 1950.Mas,após a guerra,a situação nos lares de classe média,não era propícia a grandes gastos e nossa menina e sua irmã,não passavam necessidades,mas também não podiam se dar ao luxo de grandes e caros presentes...era um brinquedo para cada uma e deveriam ficar e ficavam muito felizes.Houve um Natal em que o pai (Papai Noel)lhes trouxe, uma boneca para a irmã e uma carrocinha de entregar leite para ela...naquele tempo o leite era entregue de porta em porta por uma carrocinha,puxada por cavalos e com uma espécie de barril,com uma torneira,por onde saia o leite...era linda a carroça,mas como brinquedo para uma menina de treze anos,era um horror.E a reação dela não foi nada agradável,chorou muito,pois Papai Noel(ela sabia que era um mito,mas a irmã,não),estava achando que ela era um menino.................

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A     vida     não     é     a     que   a    gente     viveu,    e     sim   a   que     a     gente   recorda    ,e    como     recorda     para     contá-la.
 Gabriel Garcia Marquez 
Viver para contar.

E o sonho da menina de tranças é, agora, ,uma bicicleta(aos treze anos TODAS tem uma e sabem pedalar)...mas havia um problema:o pai falou que só daria a tão sonhada bicicleta,depois que ela aprendesse a andar.Então o que fazer?Apelar para a madrinha Orcélia,que poderia dar-lhe umas aulas...tudo combinado,marcaram hora e local para a iniciação:6 da tarde,em uma ladeira bem íngreme,e, no dizer da madrinha,o melhor local para se aprender...lembrem-se que ela era medrosa e a ideia da madrinha não lhe pareceu muito simpática,afinal,para quem não tinha noção de equilibrio,enfrentar uma descida era apavorante...mas,teve que aceitar e no dia marcado,na hora aprazada,dirigiram-se para o local,ela ,tremendo, e a madrinha,tranquila,calma,com sua bela bicicleta Monark,vermelha,reluzente.Ao chegarem ao cume da ladeira,pediu que ela montasse e segurasse com firmeza o guidon,olhando para a frente,sempre...os pés nos pedais já estavam e tremiam.Sua querida madrinha,então empurrou a bicicleta com força e gritou:segure firme e vai.Quase não preciso contar o final desta aventura,pois vocês já devem imaginar...foram parar lá em baixo,a menina praticamente voou e se esborrachou no chão com a bicicleta presa nas mãos...quando a madrinha chegou perto e lastimou os amassados de sua Monark,ela teve vontade de chutar as duas causadoras de um joelho todo arrebentado,sangrando profundamente ,
 braço e rosto cobertos de escoriações dolorosas...e o vestido,rasgado em várias partes...como explicaria à mãe?
               Nunca mais pediu ao pai que lhe comprasse uma bicicleta e só foi aprender a pedalar muito mais tarde,quando os filhos ganharam suas primeiras monaretas...mas aí já é uma outra historia.



Monareta








Eu vou ,mas volto...

sábado, março 10, 2012

Minhas memórias de menina---- Minha irmã Tê

Minha irmã linda e seu querido Lelo,em uma de suas últimas fotos.

      E ela era linda e doce,meiga e gentil...a todos encantava com seu sorriso.Mas era um anjo e anjos devem ir para o céu.E assim foi...após uma terrível fase de doença e sofrimentos,ela se foi,deixando em todos nós uma saudade imensa.

         Uma melodia que era a sua cara:

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos bandolins
E como não,
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim?
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins
Como fosse um lar
Seu corpo à valsa triste
Iluminava e à noite
Caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam à fada
Do meu botequim
Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos bandolins...

quinta-feira, março 01, 2012

Minhas memórias de menina(minha irmã Tê)

A menina de cachos e seus pais






Para falarmos da irmã,teremos que fazer uma pequena visita ao passado,à casa dos avós e à meninice de nossa menina.



Ainda em Manhumirim(o trem não fazia parte de suas vidas),a nossa menina de cachos,com cinco anos,foi agraciada com um presente de Deus e de seus pais:uma irmãzinha,linda e meiga,a quem foi dado o nome de Teresinha Maria,em homenagem à santinha de devoção da mãe.,que fazia parte da irmandade de Sta Teresinha do Menino Jesus.E a mãe,piedosa,contava-lhes a história da santinha e elas se emocionavam com a beleza desta e os sacrifícios a que se submetia.                                            


O nascimento da irmã foi uma alegria para nossa menina dos cachos.Só lamentava o tamanho da irmã...como brincar com ela,queria tanto uma companhia...

......mas gostava de exibí-la às visitas,como se fora uma boneca,um novo e precioso brinquedo...
       Era um encanto de criança,sorria para todos e dificilmente chorava...rostinho redondo,narizinho arrebitado e cachinhos castanhos.Com todos estes atributos a todos conquistava e nossa menina de negros cachos,alegre,porém geniosa,sentiu-se um pouco preterida,principalmente no carinho do pai,a quem muito amava e de quem sentia um enorme ciume.
Por sua natureza e seus efeitos, o ciúme se aproxima da inveja. Porém, entre ciúme e inveja permanecem algumas diferenças. Na inveja, sentimos que outros possuem um bem que desejamos para nós, enquanto no ciúme defendemos um bem que julgamos nosso e que não desejamos ver partilhado com outrem. (Pierre Charon)

Porém o tempo passou,célere e absoluto e vamos encontrá-las,já maiores ,em Muriaé,estudando no mesmo colégio e se sentindo mais próximas,apesar da diferença de idade que as separava...a irmã era tímida e gostava de ficar em casa,brincando com suas bonecas e suas mobilinhas de casinha.Uma coisa possuiam em comum:ambas gostavam
de ler e de estudar(a irmã, mais que ela ,estudava muito),de escrever,de música e de cinema.Aos domingos,após o almoço,a matinê era sagrada.Alguns filmes de que gostaram muito:
-Cantando na chuva
-As neves do Kilimanjaro
-Luzes da Ribalta
-Ivanhoé,o vingador do rei
-A princesa e o plebeu 
-A um passo da eternidade
-Lili
E vários outros,naquele cinema de interior,as faziam vibrar e sonhar com um mundo distante e iluminado,com seus astros e estrelas inatingíveis.
E sonhavam muito as meninas daquela época...mergulhavam nos livros de M.Delly e viam a vida com óculos cor de rosa...príncipes encantados e galãs de Hollywood,Bonequinhas de Luxo e Noviças Rebeldes,alimentavam seus sonhos e sua imaginação...com suas saias rodadas rodopiavam em grandes e majestosos salões... suas sandalinhas de saltinho dois e meio as conduziam a um mundo ideal,utópico talvez,mas para elas,as fadas e princesas de outrora,legítimo e realizável.
Quando foi que o sonho acabou?


 

Biblioteca das Moças foi uma coleção de romances publicada pela Companhia Editora Nacional, no Brasil, entre 1920 e 1960, especializada em literatura para jovens mulheres. A coleção era composta por cerca de 180 volumes, compreendendo romances de vários autores, a grande maioria assinada por M. Delly. Publicados entre 1920 e 1960 pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo, com a reedição de alguns exemplares nos anos 80. Os romances geralmente eram ambientados na França e possuíam enredos com estrutura bem definida[1]: o herói nobre e rico e a heroína plebéia e pobre, perfazendo uma trama complexa que finalizava com o casamento feliz, tal qual nos contos de fada. O casamento era apresentado como a redenção da mulher, e todos os romances terminavam com o encontro do herói com a "mocinha".




          E as duas irmãs,um belo dia,receberam a notícia:um novo bebê estava a caminho,e a mãe,que já não era tão nova,estava a inspirar cuidados.Uniram-se mais ainda,uma com quinze,a outra com dez anos,em uma tarefa:cuidar da casa,não deixando que a mãe se sobrecarregasse .E foi a avó,a encarregada de ensinar às duas as lidas da casa,varrer,encerar,lavar a louça e as PANELAS!!!Ai,que esta era a pior parte,mas onde encontravam uma forma de brincar(já haviam lido Pollyana e praticavam o "jogo do contente")...tinham que buscar cinza de arroz em um grande armazém e as pilhas de cinza(altíssimas e perigosas,pois havia braza embaixo)eram ótimas para se escorregar,mornas e macias.Deus as protegia e nunca se queimaram.
Todas as noites tomavam guaraná e dividiam a garrafa irmamente,colocando-a contra a luz para não errarem.Elas se amavam,muito,mas havia também momentos de briga,que a mãe resolvia,ternamente, na base do beliscão e do castigo.
      E nas férias iam para a praia,ou para Fervedouro,uma cidadezinha pequena onde havia um hotel com uma piscina de água mineral,corrente,na qual a irmã aprendeu rapidamente a nadar...e ela,com seu pavor à água,nem entrava. 
FERVEDOURO_MINAS GERAIS-Laudemar Martins Fonseca


 E a nossa menina,na companhia de sua irmã,passava as férias lendo e fazendo enormes caminhadas,neste lugar de clima privilegiado e de águas minerais saudáveis e curativas.E foi neste local,numa bela tarde,em que se deliciavam com o canto dos pássaros e viam o dia correr preguiçoso,que um pernilongo a picou na perna e deixou-a imobilizada por vários dias...era alérgica e ninguém disto suspeitava...sua perna inchou e se cobriu de feridas que escorriam e se propagavam.Havia um médico hospedado no hotel e,consultado,decretou:-Vamos ter que amputar esta perna.Mas  o pai não aceitou esta sentença e levou-a para Carangola,onde moravam os avós e um primo médico...ainda bem que o pai não aceitou a primeira opinião.A perna foi devidamente tratada e curada pelo primo.


Novamente interromperei o fluxo da narrativa.Voltarei daqui a uma semana...aguardem.

Memórias  de uma senhorinha “ Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias.” Fer...

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