SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

terça-feira, maio 30, 2017

Memórias de uma senhorinha

 Voltando ao passado

As montanhas de Minas Gerais são surpreendentemente belas.Proporcionam paisagens que encantam a todos que as vislumbram.E as montanhas de Resende Costa eram ,realmente, um caso à parte em se tratando de beleza.Da laje,a visão que se tinha era de um colorido exuberante ,com nuances variadas e ricas...uma paleta de cores que em certos instantes nos lembrava o mar que não temos , porém sonhado por todos nós.

          "As lajes não são somente os alicerces de Resende Costa. A beleza e o aconchego do lugar atraem, desde os primórdios da cidade, pessoas que transformaram o rochedo num bucólico e agradável ponto de lazer e encontro. Nos finais de semana, especialmente nas tardes de domingo, o movimento nas lajes de cima é intenso. As pessoas sentam-se sobre as pedras para conversar, namorar, tirar fotos e contemplar gratuitamente a beleza que se perde infinita num horizonte que a natureza generosamente presenteou os resende-costenses." Fonte : Jornal das Lajes

       E com nossas amiguinhas não foi diferente...encantaram-se e logo imaginaram como as pessoas da família e os amigos se sentiriam ao ver tamanha beleza. 
        As lembranças dos amigos fizeram com que nossa senhorinha voltasse no tempo novamente...
        Foram dois anos no Rio de Janeiro e as amizades que havia feito eram as cores que enfeitaram a sua vida durante aquele tempo de espera,quando suas malas estavam sempre prontas e seu coração sempre ansiando por outros vôos. As noites de sábado eram povoadas por muita música e confidências. Música na casa dos amigos Lelo (que mais tarde seria seu cunhado) e André ...música ao piano e ao violão, música na eletrola onde rodavam os discos de vinil e música também na escaleta , tocada pelo amigo Lelo  por vezes em serestas ao pé das janelas ou em frente a algum prédio onde morava um amigo. Música na voz do Cláudio que hoje canta para outros anjos, amigo muito querido, médico e companheiro de todas as horas. Saudades infinitas.
         Mas estávamos falando sobre a laje que tanto encantou nossa senhorinha e a fez pensar em contar a estes amigos sobre esta beleza. Suas malas ,como sempre ,estavam prontas...desta vez repletas de colchas do artesanato local que levaria para vender no Rio de Janeiro.
As colchas atuais, mais elaboradas e variadas

   

          Na época eram mais simples , porém muito belas também. Eram mais estreitas devido ao  tamanho dos teares, mas sempre executadas com capricho e esmero.
          Mas,além das colchas,algo bem mais valioso ia em sua mala...sonhos embrulhados em organzas e tules, esperanças envoltas em  finas musselines, multicoloridas lembranças de um poente jamais visto e um entusiasmo  que ultrapassava  os limites de sua imaginação. Conduzia esta mala com a delicadeza necessária aos sonhos, pisava com leveza para não deixar escapar nem um milímetro da esperança...e seguia com os olhos iluminados em busca do encontro com os amigos. Sonhava demais a nossa senhorinha, cultivava em estufas o seu romantismo e acreditava sempre que as cores do mar e do céu estariam sempre ali a um passo de seus desejos.
          
      
Vamos deixá-la na Rodoviária e em outro dia estaremos aqui, viajando com ela.

Um beijo para  cada um que por aqui passar.

sábado, maio 27, 2017

Memórias de uma senhorinha


        Amanhece cedo no interior...os pássaros cantam, as galinhas e os galos cacarejam ,os ruídos das patas dos cavalos ecoam na rua vazia e os cachorros começam as conversas com os dos quintais vizinhos.O aroma do café e das quitandas assando no forno de barro aguçam os sentidos e atraem a nossa senhorinha para a cozinha.A madrugadora Drinha já está na beira do fogão à lenha conversando animadamente com Dona Elzi. Riem muito de seu ar estremunhado e de sua cara de sono...na cidade grande ,ela que sempre acordara cedo na fazenda,adquirira o hábito de levantar mais tarde,daí a sua sonolência.

         A mesa com a toalha impecavelmente branca ,as xícaras e os talheres, o leite que o leiteiro entregara nas primeiras horas da manhã e borbulhava ainda em um caldeirão de ferro sobre a trempe do fogão e as quitandas ou "misturas" como se dizia por lá, tudo isto e ainda o café recém moído e coado a faziam voltar no tempo trazendo um aperto ao coração e a lembrança da alegre e ruidosa presença dos filhos ao redor da mesa na fazenda...mas não queria deixar a tristeza se aninhar em seus cabelos...as férias não demorariam a chegar e com elas os filhos, a mãe e os irmãos.Então o melhor a fazer era procurar uma casa e para isto mister se faz ,em primeiro lugar,conhecer a cidade.Vamos acompanhá-la, meus amigos?

Calças jeans, camiseta confortável e um par de tênis bem surrados e está pronta a nossa senhorinha para empreender esta caminhada que exigia um bom preparo físico...ladeiras as esperavam porém eram jovens e acostumadas às subidas e descidas dos pastos na fazenda.
          A cidade era pequenina( o vídeo que postei é mais atual ,nada parecido com o que existia na época).
         Voltemos à nossas amiguinhas e às descobertas das belezas do local...a laje as encantou e a visão que se descortinava as deslumbrou.Era um local de sonhos nunca antes visto por elas...criar raízes aí deveria ser o seu objetivo ,a sua meta,o seu norte.Conseguiriam? Só o tempo ,o Senhor da Razão poderia dizer...

          Uma pausa se faz necessária...até outro dia. Aguardem. Voltarei,com certeza.





quarta-feira, maio 24, 2017

Retorno ao Passado





Memórias de uma senhorinha

  

  " O anel que tu me deste 
   Era vidro e se quebrou
   O amor que tu me tinhas
   era pouco e se acabou..."


E vamos encontrar nossa senhorinha vivendo no Rio de Janeiro,aquele "Rio que mora no mar",aquele Rio das nossas memórias mais doces e queridas,das garotas do Leblon,Ipanema,Copacabana,Botafogo e Flamengo,aquele Rio que falava de amor e de flor,aquele Rio que nos encantava e possuía beleza e poesia.
Cuidava do filho com desvelo e a irmã o matriculou na escola onde trabalhava em Sta Tereza.Já lhes falei sobre a vivacidade e inteligência do seu caçula...era uma criança diferente,observadora e inquiridora...aprendia com uma enorme facilidade e rapidamente conseguiu alcançar o nível dos coleguinhas.Estavam no segundo semestre e os meninos já prontos para a alfabetização.Ele não só os alcançou como aprendeu a ler rapidamente.Nas férias,quando foi visitar o pai e os irmãos,a todos surpreendeu lendo as lombadas dos livros na casa da tia.E foi nestas férias também que decidiu que "sentir saudade de uma pessoa(nossa senhorinha)era bem melhor que sentir de três( o pai e os irmãos)".E o coração de nossa senhorinha se partiu,mas o que fazer? Ela sabia usar o "jogo do contente" e aceitou.Nas férias teria os filhos ao seu lado e a ausência não diminuiria o sentimento entre eles.E durante os dois anos que passou na casa da mãe,fez todos os planos e alimentou a esperança de um dia trazer os filhos.Precisava ter um trabalho e uma casa para concretizar este sonho.
E surgiu a oportunidade que tanto desejava...sua amiga Drinha(a que tocava violão e era madrinha de seu filho)foi transferida para uma cidadezinha de Minas Gerais,Resende Costa.
Drinha

E lá se foi a nossa senhorinha ,em busca de novas plagas, outros horizontes, estimulantes sonhos.A viagem foi longa...do Rio de Janeiro até São João Del Rey e de lá até Resende Costa um extenso percurso.Principalmente de São João até Resende Costa...uma estradinha estreita e cheia de curvas que subia e subia dando a impressão que se chegaria às nuvens.Mesmo assim encantou-se com o percurso, com as paisagens  lindíssimas e a topografia magnífica.Chegaram a uma cidadezinha pequenina com uma igreja totalmente em pedra e nossa amiguinha supôs já chegando ao destino...que nada!...era,segundo informou um morador, a metade do caminho...e a subida continuou, e mais belezas a se descortinar.A poeira invadia o pequenino carro,mas ela (lembram-se?) não deixava que aborrecimentos pequenos invadissem a sua cabecinha. Enfim começaram a avistar a cidade e passaram a procurar o local onde se hospedariam, indicado por um colega da amiga Drinha. Era uma pensão típica de cidadezinhas do interior de Minas, comandada por uma gentil senhora que as recebeu de braços abertos.E coração.
A belíssima paisagem com a Serra de São José ao fundo


A bela cidade as conquistou e decidiram que aí fariam morada.
Alojaram-se na pequenina pensão e planejaram a visita de reconhecimento para o dia seguinte.


Deixarei com vocês a curiosidade e algumas das melodias que eram sucesso naquela época.










Memórias de uma senhorinha Imagem da Net "Sempre tive pés falhos. Pés que falharam na vontade de prosseguir. Na ânsia de dei...

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