SONHOS E ENCANTOS

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terça-feira, outubro 30, 2012

AS QUATRO ESTAÇÕES DE VIVALDI - PRIMAVERA



E a primavera chegou...com suas flores, seu colorido e também na vida de nossa Senhorinha, um colorido novo e uma esperança...o filho tão aguardado chegou com a Primavera....era a música de Vivaldi para seus ouvidos, era o sonho de uma nova vida, com matizes diversos. ...

Deslumbrava-se com as cores que a cercavam em uma Muriaé onde os jardins eram floridos, a sogra preenchia os vasos com flores do campo e o ar era adocicado, povoado por doces aromas...fazia muito calor, mas ela sempre foi uma pessoa solar, amava o sol e gostava de sentí-lo penetrando em seus poros e bronzeando a sua pele.
Em setembro se comemora a festa da cidade e é realizada a Exposição Agro Pecuária...e todos os dias, ela e as cunhadas, desciam a rua Municipal (na realidade rua Arthur Bernardes,mas todos a chamavam assim) e se dirigiam para a Exposição, onde além do gado e dos produtos das fazendas, havia um parque de diversões, bem interiorano mesmo, com as músicas características e um locutor a oferecer, melhor dizendo, a repassar os oferecimentos de música que os rapazes dedicavam às moças.Era uma pândega! A cada dedicatória, uma declaração de amor ou de uma "profunda amizade".
Mas a nossa senhorinha se interessava mesmo era pelos brinquedos do parque e, enquanto os filhos iam ao Carroussel, aos carrinhos de batida e aos trenzinhos, ela e a cunhada mais velha preferiam um brinquedo   chamado Rumba,o qual rodava e subia a uma velocidade vertiginosa...a outra cunhada, ficava apavorada ao vê-la com aquele barrigão a rodopiar, com os cabelos voando e as emoções à flor da pele.Mas tudo corria bem e elas desciam incólumes, um pouco arrependidas, mas sem dar o braço a torcer...
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Exercícios para o Parto sem Dor diariamente executados, ela seguia em sua espera, vinte quilos a mais e coração na palma da mão... E o primo, ah o primo não cooperava nada, dizia que ela estava sonhando com algo que não existia, uma quimera...mas ela acreditava, tinha fé absoluta em sua capacidade de se relaxar e respirar corretamente...só não contava com imprevistos e estes costumam ocorrer sem aviso prévio. E foi o que aconteceu...
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No parto de seu filho Cacá e durante toda a gravidez, estava calma, tranquila e confiante...a vida corria sossegada como um barco em uma lagoa azul...os dias transcorriam serenos e as brincadeiras com Toninho, o filho mais velho, a tornavam ainda mais serena...o tempo escorregava em uma cascata de marshmallow ou um sundae imenso de chocolate...e quando o dia chegou, ela estava com a calma de uma Monalisa, plácida e serena.
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Desta vez, ao contrário, estava nervosa e irritadiça, com os nervos à flor da pele e uma sensação desagradável de perigo...só não sabia precisar o porquê desta impaciência e deste desassossego e se refugiava nas brincadeiras com os filhos e com os sobrinhos. E eles, filhos e sobrinhos adoravam aquelas noites de brincadeiras de guerra de travesseiros, de histórias sem fim e de conversas e sonhos...

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Mas, chegou o dia, tão esperado...as contrações vieram fortes e o seu controle emocional se foi...e pedia ao primo que chamasse o anestesista, pois seus exercícios de nada estavam adiantando...nem a respiração tão treinada, conseguia fazer. E veio o anestesista e ela mergulhou em um sono profundo, só acordando com o primo a mostrar-lhe o filho, outro menino, só que desta feita era uma criança maior que as outras e dera um trabalho grande ao nascer...estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço e somente a maestria do primo o salvara.Respirou, então, aliviada, sentindo que toda aquela ansiedade se desfazia e o bom da vida era aquilo, um filho nos braços e a esperança no coração.

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O pai e a mãe chegaram e ele lhe fez um pedido...que desse o nome de seu pai ao filho recém nascido...e assim foi feito e o seu nome,  Antônio Augusto .Um nome forte de um avô a quem ela sempre amara.

Antônio Augusto era uma criança calma e alegre, de bem com a vida, não chorava nunca e mamava como um bezerrinho...só não aceitou o peito e o leite abundante da mãe...parecia ter aversão ao leite materno e foi alimentado com mamadeira, desde os seus primeiros dias. E que mamadeiras! Rapidamente atingiu os 200 ml e não se contentava...criança forte, não teve as dores de barriga habituais dos bebês e cresceu forte e saudável, com as bençãos de Deus.Os irmãos o paparicavam, os priminhos também.Era uma alegria para todos!

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Amigos, por hoje é só. Voltem na próxima semana, tá?

                      Bjsssssssssss

domingo, outubro 21, 2012

MEMÓRIAS DE UMA SENHORINHA / NOVOS TEMPOS


Devaneios...insatisfações...povoavam a cabeça de nossa senhorinha...''todo o dia ela faz tudo sempre igual"...era o que ela sonhara para a sua vida???
E a resposta era um enorme NÃO, em sua cabeça e em seu coração...As espectativas eram dela...ninguém, além dela mesma,era culpado por suas decepções, nascidas de um sonho muito além daquela realidade.Mergulhava, então, na leitura e na música...fuga possível e inquestionável. Não, ela não deixava de cuidar da casa e dos filhos, mas seu coração habitava outro espaço e doía como os pés da Sereiazinha, após ganhar as suas pernas, as quais sempre desejara e agora se lhe afiguravam como um suplício. Ou os desejos realizados pelo Gênio de uma Lâmpada...cintilantes e sedutores à distância, porém ilusórios e enganadores vistos de perto.Ou ainda o Ouro de Tolo, eternizado na canção do querido Raul Seixas...

 

Você já deve ter ouvido a expressão "ouro-de-tolo". E o que é isso?

Ele é amarelo como o ouro. Tem um brilho metálico como o do ouro. Muitas vezes, é encontrado em minas onde há ouro. Mas não é ouro! É o ouro-de-tolo: um mineral conhecido como pirita! Presente em todo o mundo ‐ inclusive no Brasil ‐, ele já fez muita gente de boba, pensando que estava rica, quando, na verdade, continuava pobre, pobre...

A analogia serve bem para nos referirmos à conduta diante da vida, de grande contigente de pessoas. Elas se aferram aos valores do mundo como se fossem uma coisa preciosa, quando na verdade estão atraz de um ouro-de-tolo. 
Mas nossa senhorinha se apegava aos seus livros buscando neles uma saída, um escape para aquela insatisfação que não chegava a ser uma infelicidade...e autores povoavam a sua vida, ecleticamente, de Sartre a Michel Quoist, de Jorge Amado a Exupéry, de Thomas Mann a Kafka e lia, lia muito, Pearl Buck, Jorge Luís Borges, Baudelaire, Dostoievski, Clarice Lispector, Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queirós, Proust, Cervantes (como amava o Dom Quixote) e por aí afora, sua biblioteca aumentando e suas angústias também...
Nos finais de semana não mais a obrigatoriedade de ir para a casa do sogro, mas quando ia passava as manhãs na pracinha com os filhos, não sem antes passar pela igreja onde ensinava as orações a eles..Toninho e Cacá com ela aprenderam todas as orações, mas o menorzinho gostava de rezar "Meu Jesus, misericórdia"...a sogra a interpelava a este respeito: "O que esta criança sabe de misericordia?'' Mas já disse uma vez e repito, era uma criança cuidando de duas outras...muito amadurecida na aparência, mas com o espírito e o coraçào de uma criança.A ausência dos pais a machucara.Profundamente...e ela procurava não deixar transparecer este sentimento de perda.
Na volta da pracinha, passava pela casa da cunhada e daí nasceu a grande amizade entre as duas. Marlene era o seu nome e tinha um filho, o José, menino forte e bonito que um dia se tornaria seu grande amigo.Mas eu falava da praça e era a mesma onde ela e os irmãos brincavam, no final da Rua São Pedro.         










 
E o tempo correu, vertiginosamente...vamos encontrar nossa senhorinha, dez anos depois a bordar e se preparar para a chegada de um novo habitante...outro filho, para grande alegria de todos e dela também. Motivo de júbilo, como sempre deve e deveria ser a chegada de um bebê em uma enorme família (a do sogro) e numa pequena família como a sua. Novamente os exercícios e a preparação para mais um parto sem dor.O médico seria outro, um primo que havia se mudado para Muriaé e de quem ela gostava muito. Avisou a ele que faria o parto sem dor e este lhe afirmou, categoricamente, que isto não existia. Mas a nossa amiguinha era teimosa e se dispôs a se exercitar sem contar com a ajuda do médico...para isto retirou o seu querido livro da estante e reiniciou, com dedicação, os seus exercícios.
 Roupas foram lavadas, ao sol secavam e anunciavam a felicidade que se aproximava. As passadeiras se esmeravam, mister era deixar um cheirinho de bebê em todas as roupinhas. Os dois irmãos não cabiam em si de tanta alegria...uma nova etapa se iniciaria para aquelas vidas. Esperança de novos dias e de novas aventuras, com um irmãozinho a alegrá-los.

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Por hoje, amigos, é só. Na próxima semana voltarei.
               Bjssssssss 

segunda-feira, outubro 08, 2012

MEMÓRIAS DE UMA SENHORINHA / OS BAILES DA VIDA




E a vida  de nossa senhorinha, corria tranquila, entre as acolhedoras montanhas de Minas, e sua rotina de ir e vir para a escola, finais de semana em Muriaé e férias no Rio de Janeiro.
Uma nova professora , recém formada veio trabalhar no Grupo Escolar...seu nome era Oneida e surgiria ali uma amizade destas que duram a vida inteira. Morena, alta e muito bonita...com seu jeito meigo a todos conquistou. E nossa senhorinha recebeu-a em seu coração.
Solange, a Sossô, era outra amiga muito querida...dividiam uma sala de aula e ajudavam-se mutuamente.Esta divisão de salas foi feita de maneira nada ortodoxa...todos os anos organizavam festas na escola para arrecadarem fundos para a Caixa Escolar. E nossa amiga, junto com sua querida amiga Ângela (uma das cabecinhas louras da noite de Santo Antônio), organizavam estas festas que tanto podiam ser um desfile,  uma feijoada ou um baile temático. Era uma verdadeira aventura, a organização destas festas...pediam um caminhão emprestado ao vizinho da Escola, o Sr Domingos, e o filho, Dominguinho ia na direção...as duas, na carroceria e, de casa em casa, pegavam emprestadas cadeiras e mesas, escrevendo os nomes dos donos para não haver confusão...só que, para um dos desfiles pegaram emprestado uma passadeira enorme, um tapete vermelho da Igreja usado para os casamentos...este não teve nome escrito e desapareceu após a festa...nunca mais se teve notícia dele...
Mas eu falava de como as salas passaram a ser uma só...foi também para um dos bailes que desmontaram as paredes internas da escola e surgiu um enorme salão, maravilhoso salão de baile...e de uma feita, não conseguiram montar uma das paredes totalmente e as duas últimas salas ficaram "geminadas"...daí as aulas passarem a ser "compartilhadas". 
Já lhes contei que ela, a nossa senhorinha, adorava contar histórias, cantar e brincar com os alunos...só não sei se lhes contei da verdadeira OJERIZA à tal da MATEMÁTICA, mesmo tendo um pai e uma mãe formados em Contabilidade e que se deliciavam resolvendo problemas e equações...pois bem a amiga Sossô, não gostava de contar histórias e adorava dar aula de aritmética. Então o que faziam? Juntavam as turmas e cada uma ensinava o que mais gostava...era bom para os alunos e para elas também.
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Voltando aos bailes...era a época da explosão do twist e do rock...e vamos encontrar nossa senhorinha aprendendo com a amiga Ângela todos os passos das novas danças.

E ensaiavam os passos, ao som da pequena eletrolinha, as duas muito animadas e com aquele ímpeto do qual só a juventude é capaz.
 No dia do baile deram um verdadeiro show, deixando o marido de uma e o noivo da outra sentados, enquanto percorriam o salão. Foi o motivo para uma enorme briga com os parceiros e para nossa senhorinha se refugiar na casa da vizinha da escola para chorar desesperadamente. Ela gostava de ser livre e não entendia o porquê desta atitude machista do marido...a época era de mudanças de comportamentos e atitudes, mas o espírito antiquado dos "coronéis" da época influenciavam os filhos que não aceitavam que esposas e noivas fossem de encontro às suas vontades.
E à sua cabeça vinha a melodia do Chico querido Buarque de Hollanda:


Olê, Olá

Chico Buarque

Não chore ainda não, que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui pode passar e ouvir
E se ela for de samba há de querer ficar
Seu padre toca o sino que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança, que o samba é menino
Que a dor é tão velha que pode morrer
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, quem sabe sambar
Que entre na roda, que mostre o gingado
Mas muito cuidado, não vale chorar
Não chore ainda não, que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga, me perdoa, se eu insisto à toa
Mas a vida é boa para quem cantar
Meu pinho, toca forte que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida, nem fale da morte
Tem dó da menina, não deixa chorar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, quem sabe sambar
Que entre na roda, que mostre o gingado
Mas muito cuidado, não vale chorar
Não chore ainda não, que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
É um samba tão imenso que eu às vezes penso
Que o próprio tempo vai parar pra ouvir
Luar, espere um pouco, que é pra o meu samba poder chegar
Eu sei que o violão está fraco, está rouco
Mas a minha voz não cansou de chamar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, ninguém quer sambar
Não há mais quem cante, nem há mais lugar
O sol chegou antes do samba chegar
Quem passa nem liga, já vai trabalhar
E você, minha amiga, já pode chorar


E a festa acabou para nossa menina? senhorinha, tão feliz com suas descobertas de uma nova visão em sua existência e tão oprimida por uma algema, dourada...porém sempre algema.

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Já dizia o grande Guimarães Rosa:

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:esquenta depois esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria e inda mais ainda no meio da tristeza."

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Mas a nossa senhorinha, lembram-se?...não deixava a tristeza fazer ninho em seus cabelos e recuperou-se rapidamente.
"Verdadeiramente, tudo depende das  ideias:onde elas enraízam brotam também os pensamentos e, depois que elas se vão, se vão também os pensamentos."  (Goethe)
E pensava, pensava e ninguém era dono de seu pensar e de suas ideias e ideais...e lia muito, sonhava mais ainda, seu espírito indômito a conduzia para a frente sempre.Como aquele trem da sua infância...
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E o rock ganhava força entre as meninas , mocinhas e senhorinhas da época.
 Era o início da Beatlemania, que em breve tomaria conta do mundo. Com todo esse sucesso, a banda começou a pensar em atuar em um filme e o empresário Brian Epstein adorou a idéia de levar o quarteto às telonas.
Os Beatles já eram fãs dos filmes de rock and roll, não tanto pelos roteiros, que eram péssimos, mas pelas músicas. Esse era o grande motivo que levava os jovens ao cinema para assistir os filmes de rock. No caso dos Beatles, eles queriam uma boa história e exigiam que a trilha sonora fosse composta por Lennon & McCartney.
Devido aos compromissos, as filmagens precisavam acontecer de forma rápida e o mesmo aconteceria com as gravações. Sendo assim, a banda teve por volta de duas semanas para compor, ensaiar e gravar a trilha que foi lançada no 3º disco dos Beatles, levando o mesmo nome do filme: A Hard Day’s Night.
O filme conta de forma resumida, como era o dia-a-dia da banda, entre programas de TV, rádio, ensaios, gravações e shows; tudo isso em meio à histeria das fãs. No disco, o lado A contém as 7 canções inéditas do filme. As 6 canções do lado B foram compostas durante as filmagens e não fazem parte da trilha sonora.

É logico que sua mania de ouvir rock era considerada um absurdo pela família toda (do marido). O pai, a mãe e os irmãos também gostavam, era outra mentalidade.
E os filhos usavam o corte de cabelo dos Beatles, lindos com seus cabelos grandes e uma franja lisa, em uma época em que os meninos tinham o cabelo cortado à Principe Danilo : cabeça raspada e um topetinho!
 Os meninos faziam sucesso onde iam, menos naquela tradicional família mineira.
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Bem, amigos, preparem-se: na próxima semana uma surpresa os aguarda!
                       Bjsssssssssssssss 

 


segunda-feira, outubro 01, 2012

MEMÓRIAS DE UMA SENHORINHA / Novos Rumos







Alegria à vista!!! Uma nova escola inaugurada na cidade, trazendo novos e promissores rumos à vida de nossa senhorinha...Novas colegas, nova diretora, nova realidade!


Era o GRUPO ESCOLAR  DR OLAVO TOSTES  e sua diretora, Dna Conceição, sabia mesclar autoridade com carinho, não mais havendo aquele clima pesado da outra escola gerador de revolta e insubordinação entre os alunos.




Nas extremidades, à esquerda, a "senhorinha" Dona Leninha e à direita, a Diretora Dna Conceição

E ela teria uma sala de primeira série, seu sonho desde que começara a lecionar.

Era uma escola pré fabricada, muito em voga na época.Estas escolas, não eram bonitas, esquentavam muito e para um clima quente , não se revelaram uma escolha ideal...mas, devido ao baixo preço e à fácil manutenção, foram adotadas em várias cidades do país.

Estas seriam as qualidades mais importantes, mas há outras que também devem ser levadas em conta:

    • Isolamento térmico, impermeabilidade e resistência ao apodrecimento;
    • Resistência ao fogo e volume estável;
    • Aptidão para ser assentado e montado de maneira fácil;
    • Pouca necessidade de manutenção e conservação;
    • Resistência elevada.
Para as jovens e idealistas professoras representavam a modernidade e a certeza da chegada do progresso.

Escola nova, novas ideias e o melhor de tudo:uma primeira série com 30 alunos, sendo que dois eram seus filhos!
E com que alegria, ela levava sua charrete, não se importando com as "pirraças" do seu Paraiso e muito menos com as implicâncias do marido..

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Sua turminha era linda, para ela a mais bonita da escola, os livros novinhos, fornecidos pelo Estado.

 Caminho Suave, era o nome da Cartilha

Caminho Suave

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Caminho Suave é uma obra didática, uma cartilha de alfabetização, concebida pela educadora brasileira Branca Alves de Lima (1911-2001), que se tornou um fenômeno editorial. De acordo com o Centro de Referência em Educação Mário Covas, calcula-se que, desde 1948 quando teve sua primeira edição, até meados da década de 1990, foram vendidos 40 milhões de exemplares dessa cartilha.
Em 1995, Caminho Suave foi retirada do catálogo do Ministério da Educação (portanto, não é mais avaliada), em favor da alfabetização baseada no construtivismo. Apesar de não ser mais o método "oficial" de alfabetização dos brasileiros, a cartilha de Branca Alves de Lima ainda vende cerca de 10 mil exemplares por ano.

Método de Alfabetização pela Imagem

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em 1997, Branca Alves de Lima relatou que quando começou a lecionar, em cidadezinhas no interior paulista, a prática pedagógica para alfabetização se chamava "método analítico". Com o fim do Estado Novo, em 1945, as autoridades do MEC chegaram à conclusão que o "método analítico" não funcionava e estava superado, e deram liberdade didática aos professores.
Foi observando a dificuldade de seus alunos, a maioria oriundos da zona rural, que Branca Alves de Lima criou o método que ela própria denominou "alfabetização pela imagem". A letra "a" está inserida no corpo de uma abelha, a letra "b", na barriga de um bebê, o "f" fica instalado no corpo de uma faca, a letra "o", dentro de um ovo e assim por diante.
Especialistas em pedagogia afirmam que "Caminho Suave" e "Sodré" (de Benedita Stahl Sodré, autora da Cartilha Sodré) são os únicos métodos realmente brasileiros de alfabetização em português. O método da cartilha Caminho Suave começa pelas vogais, forma encontros vocálicos e depois parte para a silabação. O sucesso editorial seria devido ao fato de unir o processo analítico ao sintético, facilitando o aprendizado.
        E ela pretendia que fosse mesmo suave o caminho da aprendizagem e da alfabetização daquelas crianças...não pensem com isto que ela era a professora "boazinha" das histórinhas...era meiga e doce, mas sabia ser enérgica e exigente quando se tratava de disciplina, ora se sabia. Cantava, brincava, contava histórias, mas na hora do " vamos  ver", todo mundo "pianinho" porque estavam ali para aprender e isto muitas vezes incluia hábitos aos quais não estavam habituados em suas casas. Com licença, por favor e muito obrigada, não eram ensinados por muitos pais e ela fazia questão de ter alunos gentis uns com os outros e com os funcionários da escola.

Aliava ao tratamento enérgico, um carinho muito grande que se revelava nos momentos de "Histórias contadas" e Histórias Lidas", nos momentos de canções e de brincadeiras recreativas e educativas...ah, e nos desenhos nos cadernos de Dever de Casa...todos os dias levava para casa e fazia um desenho em cada um, no cabeçalho de cada caderninho! E era uma alegria para eles a surpresa diária: flores, paisagens, animais coloriam a vida e os cadernos daquelas crianças. E as excursões? Saiam em busca de beleza e a natureza era pródiga naquela cidade...a escola ficava quase no final da rua e depois deste final...o campo, a estrada e as montanhas...as fazendas, sendo que a sua era o melhor local para levá-los, havia o curral com as vacas e os bezerrinhos, a serraria, a tulha de arroz e milho e  a máquina de café (uma espécie de armazém onde se beneficiava o café) com suas enormes pilhas do mesmo.E era uma aventura para aquelas crianças escalar as pilhas de sacos e depois saltar sobre a montanha de palha de café.
em uma festa de Santo Antônio, a surpresa: uma camionete trazendo as filhas do Sêo Amaro Goulart para no terreiro da fazenda... uma revoada de cabecinhas louras desce e vem cumprimentá-la...uma nova fase iria ter início em sua vida, amigos novos, alegres e comunicativos, pessoas que partilhavam as mesmas ideias que ela, que sentiam as mesmas emoções ao ouvir uma melodia, que liam os mesmos livros, amavam os mesmos poetas e os mesmos cantores

 E o que ouviam as senhorinhas da época? Tom Jobim, Caetano Veloso, Maria Creusa, Dolores Duran, Maysa,Rita Pavoni, Elvis Presley, Peppino Di Caprio e mais outros nomes que as faziam vibrar.
E nos finais de semana passaram a se reunir em sua casa para cantar e ao som do violão de uma das amigas,iam noite adentro...
Ouça, Roberta, Nel blu dipinto  di blu, Desafinado e aquela que era a mais querida por elas, a melodia cantada pela  amada e competente Elisete Cardoso:

Modinha ( Olho A Rosa Na Janela )

Elizeth Cardoso

Olho a rosa na janela,
Sonho um sonho pequenino...
Se eu pudesse ser menino
Eu roubava essa rosa
E ofertava, todo prosa,
À primeira namorada.
E nesse pouco ou quase nada
Eu dizia o meu amor,
O meu amor...
Olho o sol findando lento,
Sonho um sonho de adulto...
Minha voz na voz do vento
Indo em busca do teu vulto.
E o meu verso em pedaços
Só querendo o teu perdão;
Eu me perco nos teus passos
e me encontro na canção...
Ai, amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor...
Ai, amor, eu vou morrer
Buscando o teu amor...

E com esta melodia eu me despeço por hoje...na próxima semana voltarei.

                  Bjssssssssssss

 





















































      As palavras do poeta martelavam em sua cabeça... sabia do cair e do levantar também... tantas vezes experimentara o caminho resva...

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