SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

sexta-feira, junho 23, 2017

Memórias de uma senhorinha

Resende Costa- Sua História e suas tradições
Por João Carlos Resende - Arquivo próprio

A história do município de Resende Costa se inicia no ano de 1749, com a construção de uma capela, aonde atualmente se encontra a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, tendo em volta oito casas, pertencentes às primeiras famílias do Arraial, como a dos inconfidentes José de Resende Costa pai e filho e a casa do Padre Toledo.[6]
No ano de 1840, mais precisamente no dia 1º de setembro, foi desmembrada da Paróquia de Santo Antônio de Lagoa Dourada. Com isso, foi elevada à paróquia, tendo como primeiro pároco o padre resende-costense Joaquim Carlos de Resende Alvim. Além disso, foi elevado a distrito do município de São José del-Rei, hoje Tiradentes, e emancipou-se pela lei estadual nº 556, sancionada pelo governador Bueno Brandão, de 30 de agosto de 1911 com a denominação de Vila de Resende Costa. No dia 2 de junho do ano seguinte, a sua emancipação político-administrativa foi oficializada, tendo como primeiro administrador municipal o presidente da Câmara Francisco Mendes de Resende.
Desde 1923 o município passou a denominar-se simplesmente Resende Costa.[7]Fonte : Wikipédia

terça-feira, junho 20, 2017

Memórias de uma senhorinha

                                                                                                                                                                                                                                                            

Delicadeza / contrastes

E a surpreendente beleza da cidade , o encanto da laje e o poente irresistível os conquistaram imediatamente. Sim, ela não havia exagerado...era uma explosão de cores e de sentimentos, um alternar de emoções e alegres despertares para um mundo novo e completamente diferente de tudo aquilo que já haviam vivido.

Foram para  a casa encontrar a Drinha e contar-lhe as novidades...seriam os próximos moradores  deste rincão escondido nas serras mineiras. Cláudio era médico e havia na cidade uma Santa Casa completamente desfalcada de médicos e André ,um exímio pianista...em São João del Rei , cidade voltada para as artes, um Conservatório onde poderia ministrar aulas de piano.Durante uma semana todas as providências foram tomadas. A Santa Casa não só recebeu o Dr Cláudio de braços abertos, como também ofereceu moradia...um belo bangalô bem no estilo de antigamente. 

Uma casa parecida

A visita ao Conservatório ficaria para a próxima vez.E foi uma correria para começar a mobiliar a nova casa...muitas colchas foram usadas na decoração, muitas plantas na varanda e o restante viria do Rio, onde já possuíam móveis e demais apetrechos que fazem de uma casa um lar.

E nossa amiguinha se esmerando na cozinha (não tinha muita prática, já que na fazenda as serviçais faziam tudo e ela se limitava às comidinhas dos filhos e à arrumação da casa, trabalho que sempre a fascinou). Seu prato preferido era um souflé de batata ou de queijo...mais tarde acrescentou outros ingredientes: palmito, chuchu, abobrinha, cenoura e o que mais houvesse na horta da fazenda. Mas agora não contava com uma horta...suas verduras e legumes vinham do asilo, trazidas por um menininho lourinho de olhinhos espertos e azuis.Seu apelido era Grilo e ela nunca soube seu nome verdadeiro...soube pela administradora do asilo (que também era orfanato), que ele fora deixado ainda bebê aos seus cuidados e a mãe desaparecera neste mundão de Deus e nunca mais dela tiveram notícias. Aos sábados e domingos era sagrada a visita ao Asilo ,motivo de grande alegria dos velhinhos e das crianças.
Na época as crianças possuíam uma ala separada da ala dos idosos.Hoje não sei se ainda há crianças ...

A amiga Tininha era a administradora e cuidava de todos com o mesmo carinho que dispensava ao seu jardim de cravos...belíssimo jardim que a todos encantava.

Mas eu falava das aventuras de nossa amiga na cozinha e tergiversei como de hábito.
Suas habilidades eram diminutas...um arroz de forno , que havia aprendido com a mãe, bifes abafados também da mesma origem e seus souflés, deliciosos e que agradavam sempre.
Eis que um dia, os amigos avisaram que receberiam visitas: duas amigas que moravam na Ilha do Bananal.
Nossa amiguinha resolveu rapidamente o cardápio do jantar: um belíssimo souflé  e uma salada bem colorida.
Enfeitou a casa com os cravos que a querida 
Tininha lhe enviara e preparou sucos de frutas e uma bela mesa com sua toalha de linho mais linda.
E foi com alegria que recebeu as amigas vindas de longe.
Serviu o jantar e ,como sempre acontecia, aguardou os elogios. Que não vieram, infelizmente.A única observação feita foi: 
-A entrada estava ótima! Agora vamos aguardar o prato principal...
Nossa amiga quase desmaiou...acostumara-se a servir apenas o souflé e todos sempre apreciaram.
Sepulcral foi o silêncio que sucedeu o comentário bastante infeliz.Os amigos perderam completamente o ar da graça e só foram salvos pelas palavras da Drinha: 
"-Agora serviremos o prato principal: música, comigo ao violão e vocês cantando"
E assim se encerrou a noite ao som de Bossa Nova, Samba Canção e Boleros.
E muita paz no coração de todos.

E com esta belíssima interpretação , eu me vou.
Mas voltarei, aguardem!!!





quinta-feira, junho 08, 2017

Memórias de uma senhorinha

São  João del Rei

Dotada de uma vasta gama arquitetônica, a qual não se restringe apenas ao Barroco, mesmo na região do Centro Hisrico é possível observar diversas linhas arquitetônicas. 
São João del-Rei é conhecida também por ser uma cidade universitária devido a presença da UFSJ, do IPTAN e IF-Sudeste de MG, além do grande número de repúblicas estudantis espalhadas pela cidade.

E foi este o aspecto desta cidade que mais encantou os nossos amigos...a arquitetura Barroca os seduzia e atraia como o canto de uma sereia...porém teriam que prosseguir na sua viagem ou não atingiriam o seu objetivo.Em um outro dia viriam passear e visitar esta cidade encantadora em todos os sentidos.

De longe avistavam as belas e imponentes igrejas e o casario com suas janelas multicoloridas.

Porém mister se fazia prosseguir  pelo asfalto até a bifurcação que os conduziria à estradinha estreita e esburacada que alcançaria o seu almejado destino...não sem antes passarem por "Coroas" ( Coronel Xavier Chagas),onde uma surpresa os aguardava.Naquele lugar, quase afastado da civilização depararam com uma igrejinha linda,toda em pedra,rodeada por uma bucólica pracinha.

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Infelizmente, estava fechada...
A ansiedade, a vontade de chegar fizeram com que deixassem para outro dia a visita...novamente.
E seguiram subindo ,agora mais calados,deslumbrados com a paisagem e felizes pela proximidade de Resende Costa.
E, enfim, a surpresa para os amigos e a constatação de que ela não exagerara...o belíssimo por do sol que os aguardava era a melhor saudação de boas vindas que poderiam receber.
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Ainda não lhes falei sobre o apartamento que nossa senhorinha havia alugado. E vocês, meus amigos, devem estar a pensar onde ela os acolheria...passei o carro na frente dos bois e agora terei que me redimir e contar como se deu este verdadeiro achado.Enquanto moravam na pensão da Dona Elzi, as nossas amigas comentaram com ela sobre a intenção de fazer morada nesta terra que as havia recebido de braços abertos. E esta logo tratou de conversar com seus amigos e parentes tentando ajudá-las.E não é que conseguiu? Seu primo estava terminando um pequeno prédio e era de seu interesse alugar o segundo andar , visto que o primeiro já estava alugado para um escritório de advocacia ...e foi uma alegre senhorinha  que galgou os dois lances de escada para conhecer aquela que seria a sua casa , o seu cantinho de começar a ser dona de casa , sem empregadas e sem mordomias...e seria o seu aprendizado nesta senda na qual nunca se havia aventurado. E creio que se divertirão muito com sua trapalhadas (teve acertos também, claro)...
Mas estou me alongando demais...não quero que se cansem.
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 Por hoje , é só...amanhã voltarei.
                           
     


Memórias de uma senhorinha

 


Carruagem real


Os amigos haviam comprado um carro e estavam ansiosos para colocá-lo na estrada.Era um Mercedes Benz antigo e parecido com este da foto. Para quem viajou de ônibus de Resende Costa até o Rio de Janeiro, fazendo baldeação em São João Del Rey, era realmente a própria carruagem real e nossa amiguinha se sentia uma princesa conduzida por seus bardos ,simultaneamente músicos, poetas e historiadores, tal qual os bardos das histórias que ela gostava de contar. Um deles era pianista e o outro, médico . A música unia os três e os laços de amizade os tornavam quase irmãos. Existia uma sincronicidade tal entre eles que se aproximava por vezes da telepatia. Estavam felizes por viajarem juntos e nada perturbava esta sensação de paz e de harmonia.

A nossa amiguinha estava ansiosa e falava muito, enquanto as cidades iam ficando para trás. Ainda não havia a moderna estrada que hoje nos leva até as cidades históricas mineiras.

        Um pouco da História da estrada BR-040
Fonte: WikipédiaE

A atual BR-040 foi efetivada pelo Plano Nacional de Viação em 1973. A redação inicial do Plano, em 1964, estabelecia a rodovia entre Brasília (DF) e São João da Barra (RJ). Com a revisão, o trecho entre Belo Horizonte e São João da Barra passou a fazer parte da BR-356, sendo incluído na BR-040 o trecho até o Rio de Janeiro, inicialmente parte da BR-135.
Antes de 1964, o trecho entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte era denominado BR-3.
Dois trechos da BR-040 têm grande importância na história das rodovias brasileiras. O trecho entre Petrópolis e Juiz de Fora compreendia a Estrada União e Indústria, a primeira rodovia brasileira, inaugurada em 23 de junho de 1861 por Dom Pedro II. Este trecho foi substituído pela atual Rio-Juiz de Fora em 1980. O trecho Rio-Petrópolis, conhecido como Rodovia Washington Luiz, foi inaugurado em 25 de agosto de 1928, pelo Presidente da República, Washington Luís, e tornou-se o primeiro asfaltado do Brasil em 1931 .
O trecho da BR-040 entre Juiz de Fora e o Rio de Janeiro foi concedido à Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora-Rio de Janeiro (Concer) em 1996.
No trecho urbano da cidade do Rio de Janeiro, a BR-040 é formada em sua maior parte pela Avenida Brasil (trecho concomitante com a BR-101), indo desde a travessia sobre o Rio Meriti no limite com Duque de Caxias, até o ponto final da rodovia na Rodoviária Novo Rio. Até 2013, ano em que se iniciaram as obras na Avenida Rodrigues Alves e a demolição do Elevado da Perimetral, seu ponto final era a Praça Mauá, onde atualmente é o boulevard da Orla Prefeito Luiz Paulo Conde.[3]
Em dezembro de 2013, o trecho da BR-040 entre Brasília e Juiz de Fora foi concedido à Invepar (Investimentos e Participações em Infraestrutura S.A.), que será responsável, pelo período de 30 anos, pela recuperação, operação, manutenção, conservação, implantação de melhorias e ampliação da rodovia.
A antiga Rio-Petrópolis foi considerada, por muito tempo, a melhor rodovia da América do Sul.
Na década de 1950 foi construída a Estrada do Contorno de Petrópolis, ligando Itaipava a Xerém, que passou a ser usada como pista de descida da serra. Atualmente, a antiga Washington Luiz serve como pista de subida da BR-040 até a entrada de Petrópolis (Quitandinha), onde se inicia a Rio-Juiz de Fora.

O trecho Petrópolis - Juiz de Fora


A BR-040 no distrito de Pedro do Rio (em PetrópolisRJ), ao lado da conhecida cervejaria do Grupo Petrópolis.
Este trecho, concluído em 15 de junho de 1980, substituiu a antiga Estrada União e Indústria, a primeira rodovia do Brasil, inaugurada em 1861. Suas obras tiveram início em 1975 e concluídas cinco anos depois, seguindo longo percurso em região montanhosa, plana, ondulada, com trechos de pista simples (7,20 m) e duplas (14,40 m), de largura. Atualmente todo o percurso é feito em pista dupla.
De Petrópolis a Juiz de Fora, a rodovia BR 040 corta sete municípios, num percurso de 138 quilômetros, com volume de tráfego de sete mil veículos/dia e menor índice de cargas, em relação a Rio-Bahia, segundo informação do DNIT.
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Entre Juiz de Fora e Barbacena passaram por Ewbanck da Câmara, Santos Dumont ( Terra do Pai da Aviação) e Correia de Almeida ( distrito de Barbacena).
Em Barbacena nossos amigos pararam na Cabana da Mantiqueira para um lanche e uma "esticada de pernas".
Ainda  havia um pedaço de chão a esperá-los...
De Barbacena a São João del Rei a estrada era estreita e mal sinalizada, caminhões de cimento conduziam cargas enormes e a atenção teria que ser redobrada.Nada que os assustasse ou preocupasse...eram jovens, deliciosamente despreocupados e totalmente "de bem com a vida".
          Passaram por Barroso e os caminhões ficaram para trás...os olhos atentos e curiosos viram surgir a entrada de Tiradentes ,uma Tiradentes que diferia completamente da atual, ponto turístico importante das Minas Gerais. Fascinados, apesar da urgência em chegar ao destino, não se contiveram...entraram na cidade para um pequeno "tour". Encantaram-se com as ruas calçadas com pedra sabão e com as belas frentes de casas...era uma cidade composta por frentes de casas apenas...belos vestígios de um passado e de uma arquitetura colonial que ficara perdida nos tempos de antanho.

Passearam pelas ruas silenciosas onde se ouvia os sons de seus sapatos... apaixonaram-se .
Porém , o seu destino e a sua ligação com esta cidade estava ainda por ser escrito...um dia se cumpriria. Hoje o que queriam era seguir a viagem e ainda faltavam algumas " léguas" para alcançar a cidadezinha no topo da montanha.E ainda teriam que atravessar São João Del Rei e Coronel Xavier Chagas. Então, "sebo nas canelas" ou melhor dizendo , gasolina no tanque e preparar o espírito para a subida. 
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 E vamos descansar um pouco e preparar o fôlego para novas aventuras.
                Eu vou, porém prometo que volto!!!
                            Bjsssssssssssssssss

   

      

sábado, junho 03, 2017

Memórias de uma senhorinha


E nossa senhorinha sentia-se como uma borboleta prestes a alçar novos vôos, em busca de novas flores e novos horizontes...
Enfim chegou à Rodoviária.A irmã já estava à sua espera ansiosa pelas novidades...no percurso até o Catete, nossa senhorinha contava à uma irmã espantada e encantada as suas descobertas naquela cidade escondida no alto de uma montanha. E também falava nas colchas, tesouro garimpado de casa em casa,ouvindo os causos enquanto acompanhava o tecer apressado das artesãs.
Uma artesã de Resende Costa
                                                                                           
E , ao chegar em casa ,todos maravilhados com a beleza das colchas e já tecendo planos de passar as férias neste abençoado lugar.
 Á noite o tão esperado encontro com os amigos...novamente olhos e ouvidos atentos à sua palavra... e uma resolução corajosa e rápida de seus amigos André e Cláudio. Iriam com ela para conhecer este recanto escondido das Minas Gerais.           E , talvez, quem sabe, estabelecer morada e sonhar junto com a senhorinha  , como se  possível fosse , sonhar e viver este sonho para sempre, tal qual nos contos de fadas. 


Uma correria de preparativos e de projetos para uma nova vida teve início.

        
 Enquanto isto , nossa senhorinha, tal qual um mascate antigo, saia com sua mala, não por estradas verdejantes montada em um intrépido cavalinho, porém, prosaicamente, nos elevadores do prédio onde moravam, nos ônibus lotados ou no carrinho da irmã com destino à Ilha de Guaratiba onde ela lecionava.E foi lá que fez a sua maior venda...um circo estava armado na praça e para ele se dirigiu animadamente. Lembram-se que ela era apaixonada por circos e na juventude, com a amiga Angela, quase se atreveu a subir no trapézio? Só não o fez porque era muito medrosa e também porque não ficaria bem para a nora de um coronel (Título dado aos fazendeiros de outrora).
Mas voltemos ao fio da meada...estávamos no circo, não é mesmo?
Animada, nossa amiguinha ,logo se viu rodeada por palhaços, trapezista e acrobatas...a mulher barbada logo escolheu uma linda colcha...e de repente, todas as colchas estavam enfeitando portas, camas e paredes das moradas da troupe .
 E ainda servindo de cortina para o trailer do engolidor de fogo!!!
Experiência riquíssima este dia no circo.

Vamos para casa que o dia foi repleto de sensações novas.

E agora deixarei vocês com este gostinho de "quero mais".

Memórias de uma senhorinha

       
        E vamos espreitar as janelas da alma de nossa senhorinha...
         Enquanto o ônibus engolia a estrada, a paisagem se descortinando aos seus olhos, a imaginação corria mais que as ondas do mar que a aguardava no Rio de Janeiro, sonhos a povoavam e idealizava a conversa que teria com os amigos ...
             
        Em sua mente os pensamentos a levavam ao tempo em que ,ainda morando no Rio de Janeiro, trocavam confidências e idealizavam um local calmo, tranquilo e pequenino onde viveriam seus sonhos sem o burburinho da cidade grande e sem a agitação e pressa dos grandes centros. E mentalmente sorria e imaginava a reação que teriam ao saber que sim, este lugar existia e estava encravado nas montanhas tão amadas das Minas Gerais, de doce lembrança para todos eles. ( ainda não havia a facilidade do celular e o contato que se tinha era o telefone, precário meio de comunicação na época, daí não ter sido possível contar-lhes sobre o PARAÍSO ).
       E o ônibus seguia e seus pensamentos também...vamos aguardar a sua chegada e saber a reação dos amigos na próxima narrativa.


     Eu vou, porém volto...prometo!

terça-feira, maio 30, 2017

Memórias de uma senhorinha

 Voltando ao passado

As montanhas de Minas Gerais são surpreendentemente belas.Proporcionam paisagens que encantam a todos que as vislumbram.E as montanhas de Resende Costa eram ,realmente, um caso à parte em se tratando de beleza.Da laje,a visão que se tinha era de um colorido exuberante ,com nuances variadas e ricas...uma paleta de cores que em certos instantes nos lembrava o mar que não temos , porém sonhado por todos nós.

          "As lajes não são somente os alicerces de Resende Costa. A beleza e o aconchego do lugar atraem, desde os primórdios da cidade, pessoas que transformaram o rochedo num bucólico e agradável ponto de lazer e encontro. Nos finais de semana, especialmente nas tardes de domingo, o movimento nas lajes de cima é intenso. As pessoas sentam-se sobre as pedras para conversar, namorar, tirar fotos e contemplar gratuitamente a beleza que se perde infinita num horizonte que a natureza generosamente presenteou os resende-costenses." Fonte : Jornal das Lajes

       E com nossas amiguinhas não foi diferente...encantaram-se e logo imaginaram como as pessoas da família e os amigos se sentiriam ao ver tamanha beleza. 
        As lembranças dos amigos fizeram com que nossa senhorinha voltasse no tempo novamente...
        Foram dois anos no Rio de Janeiro e as amizades que havia feito eram as cores que enfeitaram a sua vida durante aquele tempo de espera,quando suas malas estavam sempre prontas e seu coração sempre ansiando por outros vôos. As noites de sábado eram povoadas por muita música e confidências. Música na casa dos amigos Lelo (que mais tarde seria seu cunhado) e André ...música ao piano e ao violão, música na eletrola onde rodavam os discos de vinil e música também na escaleta , tocada pelo amigo Lelo  por vezes em serestas ao pé das janelas ou em frente a algum prédio onde morava um amigo. Música na voz do Cláudio que hoje canta para outros anjos, amigo muito querido, médico e companheiro de todas as horas. Saudades infinitas.
         Mas estávamos falando sobre a laje que tanto encantou nossa senhorinha e a fez pensar em contar a estes amigos sobre esta beleza. Suas malas ,como sempre ,estavam prontas...desta vez repletas de colchas do artesanato local que levaria para vender no Rio de Janeiro.
As colchas atuais, mais elaboradas e variadas

   

          Na época eram mais simples , porém muito belas também. Eram mais estreitas devido ao  tamanho dos teares, mas sempre executadas com capricho e esmero.
          Mas,além das colchas,algo bem mais valioso ia em sua mala...sonhos embrulhados em organzas e tules, esperanças envoltas em  finas musselines, multicoloridas lembranças de um poente jamais visto e um entusiasmo  que ultrapassava  os limites de sua imaginação. Conduzia esta mala com a delicadeza necessária aos sonhos, pisava com leveza para não deixar escapar nem um milímetro da esperança...e seguia com os olhos iluminados em busca do encontro com os amigos. Sonhava demais a nossa senhorinha, cultivava em estufas o seu romantismo e acreditava sempre que as cores do mar e do céu estariam sempre ali a um passo de seus desejos.
          
      
Vamos deixá-la na Rodoviária e em outro dia estaremos aqui, viajando com ela.

Um beijo para  cada um que por aqui passar.

sábado, maio 27, 2017

Memórias de uma senhorinha


        Amanhece cedo no interior...os pássaros cantam, as galinhas e os galos cacarejam ,os ruídos das patas dos cavalos ecoam na rua vazia e os cachorros começam as conversas com os dos quintais vizinhos.O aroma do café e das quitandas assando no forno de barro aguçam os sentidos e atraem a nossa senhorinha para a cozinha.A madrugadora Drinha já está na beira do fogão à lenha conversando animadamente com Dona Elzi. Riem muito de seu ar estremunhado e de sua cara de sono...na cidade grande ,ela que sempre acordara cedo na fazenda,adquirira o hábito de levantar mais tarde,daí a sua sonolência.

         A mesa com a toalha impecavelmente branca ,as xícaras e os talheres, o leite que o leiteiro entregara nas primeiras horas da manhã e borbulhava ainda em um caldeirão de ferro sobre a trempe do fogão e as quitandas ou "misturas" como se dizia por lá, tudo isto e ainda o café recém moído e coado a faziam voltar no tempo trazendo um aperto ao coração e a lembrança da alegre e ruidosa presença dos filhos ao redor da mesa na fazenda...mas não queria deixar a tristeza se aninhar em seus cabelos...as férias não demorariam a chegar e com elas os filhos, a mãe e os irmãos.Então o melhor a fazer era procurar uma casa e para isto mister se faz ,em primeiro lugar,conhecer a cidade.Vamos acompanhá-la, meus amigos?

Calças jeans, camiseta confortável e um par de tênis bem surrados e está pronta a nossa senhorinha para empreender esta caminhada que exigia um bom preparo físico...ladeiras as esperavam porém eram jovens e acostumadas às subidas e descidas dos pastos na fazenda.
          A cidade era pequenina( o vídeo que postei é mais atual ,nada parecido com o que existia na época).
         Voltemos à nossas amiguinhas e às descobertas das belezas do local...a laje as encantou e a visão que se descortinava as deslumbrou.Era um local de sonhos nunca antes visto por elas...criar raízes aí deveria ser o seu objetivo ,a sua meta,o seu norte.Conseguiriam? Só o tempo ,o Senhor da Razão poderia dizer...

          Uma pausa se faz necessária...até outro dia. Aguardem. Voltarei,com certeza.





quarta-feira, maio 24, 2017

Retorno ao Passado





Memórias de uma senhorinha

  

  " O anel que tu me deste 
   Era vidro e se quebrou
   O amor que tu me tinhas
   era pouco e se acabou..."


E vamos encontrar nossa senhorinha vivendo no Rio de Janeiro,aquele "Rio que mora no mar",aquele Rio das nossas memórias mais doces e queridas,das garotas do Leblon,Ipanema,Copacabana,Botafogo e Flamengo,aquele Rio que falava de amor e de flor,aquele Rio que nos encantava e possuía beleza e poesia.
Cuidava do filho com desvelo e a irmã o matriculou na escola onde trabalhava em Sta Tereza.Já lhes falei sobre a vivacidade e inteligência do seu caçula...era uma criança diferente,observadora e inquiridora...aprendia com uma enorme facilidade e rapidamente conseguiu alcançar o nível dos coleguinhas.Estavam no segundo semestre e os meninos já prontos para a alfabetização.Ele não só os alcançou como aprendeu a ler rapidamente.Nas férias,quando foi visitar o pai e os irmãos,a todos surpreendeu lendo as lombadas dos livros na casa da tia.E foi nestas férias também que decidiu que "sentir saudade de uma pessoa(nossa senhorinha)era bem melhor que sentir de três( o pai e os irmãos)".E o coração de nossa senhorinha se partiu,mas o que fazer? Ela sabia usar o "jogo do contente" e aceitou.Nas férias teria os filhos ao seu lado e a ausência não diminuiria o sentimento entre eles.E durante os dois anos que passou na casa da mãe,fez todos os planos e alimentou a esperança de um dia trazer os filhos.Precisava ter um trabalho e uma casa para concretizar este sonho.
E surgiu a oportunidade que tanto desejava...sua amiga Drinha(a que tocava violão e era madrinha de seu filho)foi transferida para uma cidadezinha de Minas Gerais,Resende Costa.
Drinha

E lá se foi a nossa senhorinha ,em busca de novas plagas, outros horizontes, estimulantes sonhos.A viagem foi longa...do Rio de Janeiro até São João Del Rey e de lá até Resende Costa um extenso percurso.Principalmente de São João até Resende Costa...uma estradinha estreita e cheia de curvas que subia e subia dando a impressão que se chegaria às nuvens.Mesmo assim encantou-se com o percurso, com as paisagens  lindíssimas e a topografia magnífica.Chegaram a uma cidadezinha pequenina com uma igreja totalmente em pedra e nossa amiguinha supôs já chegando ao destino...que nada!...era,segundo informou um morador, a metade do caminho...e a subida continuou, e mais belezas a se descortinar.A poeira invadia o pequenino carro,mas ela (lembram-se?) não deixava que aborrecimentos pequenos invadissem a sua cabecinha. Enfim começaram a avistar a cidade e passaram a procurar o local onde se hospedariam, indicado por um colega da amiga Drinha. Era uma pensão típica de cidadezinhas do interior de Minas, comandada por uma gentil senhora que as recebeu de braços abertos.E coração.
A belíssima paisagem com a Serra de São José ao fundo


A bela cidade as conquistou e decidiram que aí fariam morada.
Alojaram-se na pequenina pensão e planejaram a visita de reconhecimento para o dia seguinte.


Deixarei com vocês a curiosidade e algumas das melodias que eram sucesso naquela época.










quinta-feira, outubro 08, 2015

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA

E nossa menina está radiante de felicidade,morando na Rua São Pedro,perto de várias coleguinhas de sala de aula,convivendo com elas e suas famílias,conhecendo várias outras pessoas,alegres companhias para os folguedos e brincadeiras de fim de tarde,após o banho e o jantar.E eram muitas amigas a se reunir para as rodas enormes,para o pique de esconder,as queimadas,chicotinho queimado,passar anel e muitas outras que não me vem à memória...e às nove horas as mães começavam a chamar e todas, obedientemente,se recolhiam às suas casas,sem retrucar e sem reclamar.Ainda não havia televisão,somente o rádio,centro das atrações,com suas novelas e séries:
 Em 12 de julho de 1941, às 10h30, teve início ‘Em busca da felicidade’,primeira radionovela transmitida no país, através da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A obra mexicana foi escrita por Leandro Blanco, com adaptação de Gilberto Martins. Seus capítulos ficaram no ar por aproximadamente três anos.Após seu término, começou a cubana ‘O direito de nascer’, que foi a principal radionovela do Brasil.





domingo, março 01, 2015

Minha cunhada Hortência


A primeira à esquerda é Hortência, minha cunhada e amiga.


A notícia chegou através do telefone...meu filho Cacá me comunicando o falecimento de sua tia Hortência.E num relance, momentos vividos, instantes preciosos vieram à minha mente...o dia em que a conheci e ela me abriu a porta de seu quarto e a de seu generoso coração.Mostrou o enxoval à menina de 16 anos que estava prestes a ficar noiva de seu irmão e queria se mostrar adulta à futura cunhada.
Mais tarde,já casada, foi ela que me ensinou a cuidar dos filhos,a lidar com os empregados e, juntas saíamos,planejávamos executar receitas,pintávamos e ríamos muito.Seu humor me alegrava e sua presença foi essencial em minha vida quando meus pais se mudaram para o Rio...nos finais de semana era com ela que trocava confidências,esclarecia dúvidas e encontrava apoio.Foi uma amiga para todos os meus momentos...acompanhou-me ao Hospital quando fiz o parto sem dor e se espantava com a minha tranquilidade...
Dela me lembrei ao escrever as minhas Memórias de uma Senhorinha,neste trecho:

.A primeira da foto, Hortência,bonita morena,alta e simpática.Já estava casada e tinha três filhos nesta época,tendo tido mais um depois que se conheceram.Tinha um gênio forte e impulsivo,lidava com as empregadas da casa com pulso firme e era o braço direito da mãe.Fez seus estudos em Juiz de Fora,no Colégio Stella Matutina, onde era exímia jogadora de volley.Saudosa deste tempo,fez da cunhada sua confidente e lhe mostrava as fotos com seu time,deslumbrando a nossa menina com suas recordações.Adorava o pai,era seu ídolo e tudo fazia por ele.Elas se tornaram grandes amigas. Seus filhos eram arteiros e ela uma mãe muito enérgica.
 Como podem ver,esta amizade nos uniu por muitos anos...estivemos distantes durante outros tantos anos,mas o afeto nunca diminuiu...

Hoje consegui terminar  minha pequena homenagem a esta que foi e sempre será uma grande mulher,batalhadora,alegre,firme em suas decisões e dona de uma grande sensibilidade,o que fez dela uma pintora de belas e expressivas telas.  
Vá com Deus,amiga.Seus filhos poderão sempre contar com a tia Leninha,como um dia você cuidou de meu filho e seu afilhado Dudu.   

Memórias de uma senhorinha

Resende Costa- Sua História e suas tradições Por João Carlos Resende - Arquivo próprio A história do município de Resende Costa se ini...

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