SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

sábado, junho 06, 2020


MEMÓRIAS DE UMA SENHORINHA




Hortência,Antônio Lucas,Margarida,Brandãozinho e Angélica /Sentados:D. Maria José e o Sr Brandão




                    A  família  reunida

Esta era a sala da casa de Muriaé que nossa senhorinha passou a frequentar aos domingos, conduzida pelo sogro e pelo marido que não dispensavam estas reuniões familiares.
E era uma casa alegre, repleta de risos das crianças,do movimento das cunhadas e da voz forte do sogro, homem de movimentos amplos e coração terno.

As cunhadas eram um capítulo à parte, gostavam de música e a sogra sempre tocava e cantava... Peixe Vivo, na época fazia sucesso e todos se reuniam na sala para cantar.
Uma alegria!

De manhã  iam à Missa , a sogra e o sogro tinham lugar cativo ... quando adentravam a Igreja , para ela se voltavam todos os olhares...muito bonita, alta e elegante, lembrava as heroínas dos filmes de Hollywoood.
 
À noite a Igreja toda se iluminava e era linda, com seus arcos e colunas. E para lá se dirigiam novamente para a benção do Santíssimo e as ladainhas em latim... o sagrado era mais intenso e o aroma do incenso reforçava esta  sensação.

  A Bênção do Santíssimo, segundo o uso atual, entra geralmente um molete à Eucaristia (O salutaris Hóstia, Ave verum), diversos cânticos em louvor de Jesus Sacramentado, de Nossa Senhora, dos Santos e o Tantum Ergo. Todavia, deve-se notar que a parte litúrgica, rigorosamente exigida pela Igreja e formando a essência da Bênção, consta unicamente do Tantum Ergo, do Genitori, do versículo Panem de Coelo com o respectivo responso e da oração Deus qui nobis, precedentes a Benção do Santíssimo.
Para a Bênção do Santíssimo, o celebrante veste sobrepeliz, estola e capa. Por duas vezes, após a exposição e no Genitori, incensa-se o Santíssimo Sacramento. É sinal de honra e adoração, tributada a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo presente na Hóstia consagrada.
Parecia que a nossa amiguinha se sentia no céu ao acompanhar as cerimônias... talvez a sua fé fosse mais ligada ao profundo encanto que as palavras em latim exerciam sobre ela... à infância no Colégio de freiras, aos hábitos adquiridos com a mãe, só sei que na época era algo muito forte em sua vida.
Após as orações, a visita à casa dos pais da sogra (o pai já havia falecido) onde se reencontrava com a doce vovó Gabriela. A casa ficava em frente à Igreja e era uma construção  sólida e atraente com sua varanda e duas escadas de acesso à mesma.
Do lado direito,a casa branca
  • Vamos voltar à casa e às cunhadas, muito importantes na vida de nossa senhorinha. A primeira da foto inicial, Hortência, bonita morena, alta e simpática. Já estava casada e tinha três filhos nesta época, tendo tido mais um depois que se conheceram. Tinha um gênio forte e impulsivo, lidava com as empregadas da casa com pulso firme e era o braço direito da mãe. Fez seus estudos em Juiz de Fora, no Colégio Stella Matutina, onde era exímia jogadora de volley. Saudosa deste tempo, fez da cunhada sua confidente e lhe mostrava as fotos com seu time, deslumbrando a nossa menina com suas recordações. Adorava o pai, era seu ídolo e tudo fazia por ele. Elas se tornaram grandes amigas. Seus filhos eram arteiros e ela uma mãe muito enérgica.

  •   A segunda na foto, era a mais nova,Margarida, morava no Rio e só aparecia nas férias. Os filhos, adoravam vir à casa dos avós e era uma felicidade quando se reuniam 
  • .Era muito independente, dirigia seu próprio carro e sua elegância e beleza a todos encantavam.Muito fina e educada, também tinha um temperamento forte, suas empregadas a respeitavam muito.Quando chegava, movimentava a casa.
A mais velha, e última na foto, se chamava Angélica, era farmacêutica, mas não exercia a profissão, morava em uma fazenda em um local próximo à Muriaé ... o nome da fazenda era Chalé e foi herança que o marido recebeu dos avós, Barões do tempo do Império, cujo brazão adornava a sala de estar da imensa casa.Ela cuidava da fazenda com o marido e tinha quatro filhas, lindas e altas, com aspecto nobre e delicado.

O cunhado era também casado e sua esposa, Marlene se tornou uma de suas melhores amigas. Tendo sido criadas na mesma rua em Muriaé, a rua São Pedro, participaram das mesmas brincadeiras e tinham muitas afinidades.
Haviam se casado um ano antes e já tinham um filho, um bebê forte e grande, o José, mesmo nome do avô e do pai.
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E os sábados e domingos transcorriam alegres e barulhentos... o pai sentia ciúmes da nova família que tomava tanto tempo da filha... mandou fazer um novo quarto na casa para que ela tivesse o seu cantinho e não ficasse somente na casa do sogro.Ela sempre gostou de decoração e transformou o quarto de acordo com seu gosto na época, enfeites hippies, colcha de chitão e alegres cortinas na janela. E uma bela cama "patente", para completar...
Seus livros ficavam em um cômodo na parte de baixo da casa e lá ela estendeu um belo tapete ,um colchão forrado de cetim e mil almofadas coloridas... era o seu refúgio.

A irmã e o irmão adoravam ficar com ela e ouvir as histórias que contava... tinha que dividir o tempo entre as duas famílias.
Sonhos? Ela os tinha, muitos. Desejos? Também,  e um deles era ter um filho... e já estava a esperá-lo.
A mãe e a avó se desdobravam para fazer o enxoval... sapatinhos, camisas de pagão, camisolinhas, cueiros, babadores e fraldas. Porque as fraldas eram feitas em casa, embainhadas e alvejadas...
Os lençóizinhos eram bordados em ponto matiz e mais outros que a avó lhe ensinava.Linhas coloridas passaram a fazer parte do seu dia a dia...

 
E todos se empolgavam...


Mas só na semana que vem iremos falar sobre esta doce espera. Aguardem!!! 

12 comentários:

Roselia Bezerra disse...

Boa noite de muita paz, querida amiga Leninha!
Que bom o marido não dispensar reunião familiar!
Manhãs de Missa, inesquecíveis!
Cunhadas sempre são um caso a parte 🤩 .
E lindo demais ver as igrejas de cidades interioranas acesas, iluminadas.
A Adoração ao Santíssimo Sacramento é de extrema importância para mim. Como me sinto renovada ainda hoje.
Como sinto saudade da família grande reunida nas férias em viagem para outro Estado.
Até hoje gosto de colcha e ornamentação de chitão.
Ah! Os enxovaixinhos... Que lindos eram!
Tenho até hoje uma parte boa, bordada à mão,dos filhos que vestiram netos também.
Tenha dias abençoados!
Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

Leninha Brandão disse...

Muito querida amiga Roselia!
É sempre muito bom ler a sua opinião tão logo eu público. E suas palavras me trazem a impressão de estarmos a conversar em minha cozinha da fazenda.E espero a sua visita ansiosamente...na próxima semana estarei de volta
Obrigada por suas carinhosas palavras!!!

alfacinha disse...

Que família linda
bjs

" R y k @ r d o " disse...

Uma família muito bonita
.
Votos de um domingo feliz
Cumprimentos poéticos

chica disse...

Mais um lindo pedaço de vida dessa senhorinha aqui mostrado. Linda foto de família e como eram comuns todos enfileirados, bem vestidos, pra posarem. Lindo bordado que faz lembrar os de minha mãe e tenho uma irmã que ainda os faz! Adorei e vamos esperar essa doce espera! beijos, chica

Dalva Rodrigues disse...

Sua postagem me fez pensar no quanto o casamento nos traz, além de um parceiro, sua família, é um laço que carregamos para sempre. Sou separada há 15 anos, mas amo a família do ex do mesmo modo, pais, tias, sobrinhos...são minha família também.
Adorei as fotos, os bordados representando as novidades de vida chegando!
Abração, Leninha, querida!

Homem do Norte disse...

Sonhar sempre

Valéria disse...

Sempre me encanto, ao ler suas memórias...tenho lido, as anteriores, do Facebook, mesmo que silenciosamente... e adoro...me encanta ver essas fotos , os lugares...a beleza de uma família reunida... e esse bordado então... me enche os olhos...minha doce amiga, bom domingo, beijinhos

Maria Luiza disse...

Estar aqui é certo encontrar um passado lindo escondido na minha memória com este seu relato.Minha mãe não saia da igreja e eu atrás dela! Tantum ergun, cantei tanto.As missas em latim atiçavam minha curiosidade. Que tempos lindos viveu a senhorinha! E eu também! Abração querida!

Leonardo Lisbôa disse...

Senhorinha, a memória é uma riqueza que guarda nossas narrativas. E narrá-las é avaliar quem somos e fomos. É um registro para posteridade.
Quando tiver oportunidade leia sobre o MUSEU DA PESSOA, que se pauta na História Oral e fotografias.
Lindo o teu blog!
Abraços, Leonardo Lisbôa

manuela barroso disse...

Com mais este excerto do caminho da tua vida , fazes- nós um descrição completa do mundo que começa a adentrar- se verdadeiramente na tua vida de jovem esposa . Sem dúvida, Leninha, que há que ter um poder muito grande de aceitação para te sentires uma nova família com tantos cambiantes a que tiveste de te adaptar .
Como em todos os sonhos , a realidade sobrepõe-se às imagens que a nossa mente desenha no inconsciente e será preciso ter um poder de encaixe onde só o amor ajuda a ver o colorido da nova vida .
Toda a família tem aquele porte de pessoas da época e onde se lê tudo o que tu já apontaste .
Difícil será entender como a menina dos caracóis conseguiu integrar- se e acompanhar tudo e todos com a boa disposição que ainda hoje te define .
Uma linda história de outros tempos que devias transportar para os teus netinhos.
O Alexandre tem o teu domínio linguístico nas veias !
Ler- te é um relaxe , um prazer .
Um grande beijinho minha querida e doce Leninha 🌷

Jô Turquezza disse...

Ah adoro seguir as histórias da senhorinha ...
Lembra minha infância na casa de parentes que moravam em cidades do interior.
Gosto até hoje desse clima de família, primos juntos, brincadeiras, passeios ...
Obrigada por essas lembranças.
E continuo seguindo ...
blogjoturquezzamundial
Beijos.

Minha querida e linda sobrinha Marcela, A vida é uma eterna ciranda a nos conduzir prá lá e pracá... e em uma destas voltas viemos para Tere...

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