SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

quarta-feira, abril 25, 2012

Minhas memórias de menina





 Flores eram sua paixão e cuidava delas com alegria,desvelo e mil cuidados...
.................os mesmos que tomava com o irmão,pequeno e frágil...e todas as noites a encontrávamos cantando para ele dormir as doces canções que ouvira um dia da avó.
 E se desdobrava em cuidados,como se ele seu filho fosse...e corria em busca do médico da família,ao menor sinal de febre ou dor do irmãozinho...preocupava-se tanto quanto a mãe e dedicava uma parte do dia a brincar e contar-lhe histórias.



Mas nem tudo era colorido e nem tudo eram flores na vida de nossa menina...uma fase conturbada surgiu para perturbar seu sono e seus sonhos...o namorado,aquele que parecia um príncipe,em sua charrete e seu cavalo branco,começou a beber e este,naquela época era um vício inaceitável,principalmente pelo pai,enérgico e severo,que nunca havia bebido e não concordava mais com o namoro...nunca se havia manifestado  mas agora era totalmente contra.
Já falei,anteriormente,sobre a obediência das meninas daquela época às ordens paternas e maternas.Nossa amiguinha não fugia à regra,mas tentou manifestar a sua opinião,no que foi prontamente rechaçada pelos dois...não poderia mais continuar aquele namoro e pronto,estava decidido.Lágrimas,pedidos,nada adiantou...e as colegas também partilhavam as ideias paternas e vinham aconselhá-la e tentar fazê-la entender que nada poderia existir de bom em um relacionamento com um "beberrão".
Ela se opunha a estes conselhos,tentava argumentar até o dia em que ele mesmo veio lhe provar que a razão estava com todas estas pessoas que lhe queriam tanto bem...envolveu-se em uma briga em um bar e isto nem ela poderia aceitar.Foi para casa e concordou com os pais que lhe haviam proposto uma viagem para a casa da tia que morava em Carangola.Adorava a tia e sentia que lá haveria de esquecer este episódio de sua vida...
E,malas e bagagens prontas,lá se vai a nossa menina,para a casa de sua querida tia Ruth.

..............................................................................................................
A casa da tia

Antes de falar sobre a casa propriamente dita,preciso lhes apresentar a cidade de Carangola

Localização

Situada na encosta do Planalto Atlântico, Carangola está a leste do estado de Minas Gerais, pertencendo a mesorregião da Zona da Mata.
A posição geográfica de Carangola polariza a atenção de diversos municípios, dada a sua excelente estrutura de prestação de serviços, um significativo comércio e um latente processo de industrialização, recebendo influência de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Juiz de Fora.
O município de Carangola está constituído atualmente pela sede e pelos distritos de Alvorada, Lacerdina e Ponte Alta de Minas. Carangola é circundada pelos municípios de Divino e Espera Feliz, ao norte; Caiana,Espera Feliz e Faria Lemos, a leste; Fervedouro e São Francisco do Gloria, a oeste, Pedra Dourada e Faria Lemos, ao sul.
A igreja onde foi batizada


A cidade de Carangola,era para ela a terra onde moraram os avós paternos,durante a sua infância...a avó tão querida e o vovô/padrinho,sempre em sua memória.Voltar à Carangola...era voltar para os braços roliços da terna vovó Alzira,era relembrar o bisavô João Carlos,alegre e brincalhão e o avô,alto e magro que a levantava em seus braços e a fazia se sentir uma princeza.As histórias do avô,que acordava os empregados da fazenda com seu grito forte:"Olha o café!"e se vangloriava de não precisar de sino em sua fazenda...o café servido a todos os colonos na cozinha da fazenda,com as broas de milho,os biscoitinhos de nata e polvilho,os pães assados ali mesmo e o leite quentinho sobre o fogão à lenha.
Os causos do Chico Moleque,do pai e dos tios barulhentos e alegres,o circo que era montado na fazenda para divertir os colonos e suas famílias(mas ele não dava só o circo,dava o pão,a fartura e o companheirismo),os bailes,a venda...só a fazenda de meu avô e suas histórias dariam um livro e dos bons!

.................................................................................................................
Mas o avô e a avó já não habitavam esta terra,estavam em fazendas do outro lado da vida.
 ..............................................................................................................

E nossa menina chegou a Carangola,sem mágoas do pai ou da mãe,ela já cultivava o hábito de não deixar a tristeza fazer moradia entre os caracóis de seus cabelos e gostava do "jogo do contente"da Pollyana...

A tia recebeu-a com uma enorme alegria e um lindo sorriso(ela não se lembrava da beleza daquele sorriso),abraçou-a com carinho e ofereceu-lhe não só a casa mas o colo,o afeto,a ternura...
Era época de Exposição Agro Pecuária e isto significava passear durante o dia no Parque de Exposições e à noite os bailes no Clube da cidade.E a tia providenciou trajes de festa,sapato de salto seis e meio,carteira social e o mais importante:companhia,um par para dançar!!!O cunhado da tia estava na cidade e seria o seu acompanhante e cicerone durante o dia.Alto,olhos azuis,sorriso maroto,era como se realmente um príncipe se houvesse materializado...nesta idade as grandes paixões são esquecidas e dão lugar a outras,com uma facilidade incrível.

À noite a tia,tal qual uma fada madrinha,a vestia e enfeitava e nossa menina,radiosa e feliz,partia para o baile,não em uma carruagem,mas em uma camionete Chevrolet verde,que não se transformaria em abóbora...
E com um príncipe ao seu lado!!!


E aprendeu a dançar e os boleros,valsas ,baiões,a   faziam rodopiar pelo salão...um samba canção dolente a conduzia e embalava com seus acordes doces a provocar-lhe suspiros...e era como um sonho.


Eu Sonhei Que Tu Estavas TÃo Linda Lamartine Babo
Eu sonhei . . .que tu estavas tão linda . . .Numa festa de raro esplendor,Teu vestido de baile . . . lembro ainda:Era branco, todo branco, meu amor ! . . .A orquestra tocou umas valsas dolentes,Tomei-te aos braços, fomos dançando, ambos silentes . . E os pares que rodeavam entre nós,Diziam coisas, trocavam juras a meia voz . . .
Violinos enchiam o ar de emoçõesE de desejos uma centena de corações . . .P'ra despertar teu ciúme, tentei flertar alguém,Mas tu não flertaste ninguém ! . . .Olhavas só para mim,Vitórias de amor cantei,Mas foi tudo um sonho . . . acordei ! . . .





Mas não era um sonho e ela rodopiava e se sentia em um conto de fadas...

E se passaram os dias e o doce convívio estava quase a terminar...não houve um pedido formal de namoro,mas ele prometeu que a visitaria em setembro...e ela se foi,com o coração apertado,mas com a convicção de que a primavera seria um marco em sua vida.

 Eu vou,mas voltarei,amigos........................


Bjssssssssssssssssssssssssss























segunda-feira, abril 16, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA







L
E nossa menina,já não tão menina,vivia em um torvelinho,com suas obrigações diárias,arrumar a casa,estudar,cuidar do irmão,sair com as amigas,e ler.
Porque ela lia muito,todos os dias,o que lhe caísse às
Teresnha,Julinho e Leninha
mãos,não só os seus amados livros de Delly,mas José de Alencar,Machado de Assis,Eça de Queirós,Jorge Amado e os  poetas......................................... .Ah,os poetas eram o seu encanto e sua paixão.
Naquela época,havia os auditórios semanais no colégio e as meninas declamavam enquanto outras,como a amiga Lucina,tocavam piano.Cantavam também e as freiras organizavam corais,com músicas sacras e algumas outras do cancioneiro popular.



Carlos Galhardo
E o rádio era outra de suas paixões,ouvia todos os programas musicais,Carlos Galhardo e Francisco Alves,aos domingos e o programa de auditório famoso entre as moçoilas daquela época:Programa José de Alencar,onde cantavam as atrações da música de fossa,Nora Ney,Linda Batista,Angela Maria e Elizete Cardoso.Havia também o programa Manuel Barcelos,iguamente de grande audiência.E  anotavam as letras das canções,cada menina possuia o seu caderninho,onde,com letra caprichada e alguns decalques para enfeitar,se escreviam as grandes paixões,os amores condenados ao desencanto e as dores de cotovelo mais atrozes.Porque as nossas meninas sofriam muito por amores não correspondidos,amores impossíveis e sonhos despedaçados.Os corações viviam partidos e quando Nora Ney cantava:
 Ninguém me ama ,ninguém me quer,ninguém me chama de meu amor,a vida passa e eu sem ninguém e quem me abraça,não me quer bem, era a dor de cada uma delas que estava sendo cantada,tolas e ingênuas meninas que acreditavam em contos de fadas e em príncipes em cavalos brancos..
Leninha ,Julinho e TeresinhaViviam em preto e branco,como suas fotos e sonhavam,almejavam viver em technicolor,como os filmes que assistiam.


Technicolor é uma marca norte-americana pertencente à Technicolor Motion Picture Corporation em que o processo consistia na coloração dos filmes. Foi utilizado até a década de 60.
A Technicolor era a segunda maior empresa de coloração cinematrográfica após a britânico Kinemacolor e a mais utilizada pelos estúdios de Hollywood de 1922 a 1952.








Leninha
 Músicas que ela ouvia


 Ninguém Me Ama - Nora NeyAlguém Como Tu - Dick Farney Kalu - Dalva de Oliveira Me Deixa em Paz - Linda Batista Delicado - Percy Faith Mãezinha Querida - Carlos Galhardo Maria Candelária - Blecaute India - Trio Cristal Serra da Boa Esperança - Francisco AlvesLama - Angela Maria
 Sábado em Copacabana - Lúcio Alves Mona Lisa - Nat King Cole Nunca - Isaura Garcia Be My Love - Mario Lanza
 Menino Grande - Nora Ney
Não Tem Solução - Dorival Caymmi "The Third Man" Theme - Anton Karas
 Máscara da Face - Dircinha Batista Se Eu Errei - RisadinhaAlvorada de Luz - Trio de Ouro Blue Tango - Leroy Anderson Perdoar - Lurdinha Bittencourt A Mulher do Meu Amigo - Francisco Alves The Little White Cloud That Cried - Johnnie Ray & Four Lads Coimbra - Les BaxterAmanhã Será Tarde Demais - Marlene I Get Ideas - Tony Martin
 Conversando Com a Chuva - Trio de Ouro Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda - Carlos Galhardo Índia - Cascatinha & Inhana Luz de Vela - Marlene Meu Primeiro Amor (Lejania) - Cascatinha & Inhana
Poeira do Chão - Dalva de Oliveira Quem Sabe? - Stellinha Egg Amor, Meu Grande Amor - Nora Ney Risque - Linda Batista
 My Truly, Truly Fair - Guy Mitchell
 Sodade, Meu Bem, Sodade - Vanja OricoChalana - Duo Brasil Moreno


E aos domingos,após a Missa,iam todas para a casa de um amigo.filho do prefeito da cidade,ouvir música em uma eletrola..............................................................................
..era o máximo do luxo,o sonho de consumo de todas elas,ouvir discos,LPs.e compactos...Moonlight Serenade,Blue moon,My Foolish Heart,melodia do filme com o mesmo nome,que amavam,com Susan Hayward ,e choravam,dançavam e viam a vida cor de rosa,como só se vê quando se tem quinze anos...



Voltarei na semana que vem,aguardem!!!

quarta-feira, abril 11, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA








E,como uma borboleta alçando vôo,a meninice está indo embora...........................................................................................


......vamos encontrar a nossa menina às vesperas de completar os seus quinze anos,sem valsa,sem baile,sem festas...
E ela sonhara muito com aquele dia,com a magia dos quinze anos,com um baile de debutantes,como via nos filmes e em seus livros românticos de M.Delly e Coleção Rosa,com belo vestido de tule ou organdi a voltear em um salão enfeitado de flores,rodeada por suas melhores amigas,de preferência no Muriaé Tênis Clube...era um sonho antigo,coisa de menina moça...ainda não havia bailes assim em sua cidade e mesmo que os houvesse o pai jamais a deixaria participar...a revista O Cruzeiro trazia fotos e reportagens sobre estes bailes,daí o seu sonho..


História dos bailes de Debutantes

Tradicionalmente esta palavra é usada para representar a adolescente que está completando 15 anos de idade. Debutante é uma palavra derivada do francês (débutante), que traduzida significa  iniciante.Debut:estréia.
Um ritual de passagem
O Baile de debutantes é considerado uma espécie de ritual de passagem da infância para vida adulta de uma adolescente, onde os pais apresentavam sua princesa à sociedade começando assim uma nova fase em sua vida. Antigamente, era nesta data, que a jovem adolescente tinha permissão de seus pais para usar roupas mais adultas, freqüentar reuniões sociais e namorar.  Ou seja, literalmente era uma data marcada para a menina se tornar definitivamente uma mulher. Agora dá pra imaginar como a data era tão esperada e almejada pelas jovens da época?



Namorar era comum aos treze anos e nossa menina era bem precoce em tudo e neste ponto também.Após o primeiro namoro,com o irmão da amiga,encantou-se com um rapaz alto,moreno e de cabelos negros como o azeviche...olhos profundos e também negros,ombros largos e voz doce e sedutora...morava em um sítio,numa aldeia próxima a sua cidade.Todos os dias vinha à cidade,em uma charrete puxada por um lindo cavalo branco e ela o via como um príncipe...faltava-lhe o traquejo de príncipe,mas ela não percebia...o que ele não possuia ela enxergava com seus olhos de menina romântica e sonhadora...imaginava um romance como aqueles que lia,um dia ele a levaria em sua garupa e seriam felizes para sempre.Aparências a enganar,a seduzir uma menina que a viver de sonhos,tecia um futuro róseo e delicado,escrevia flores em um jardim deserto,cultivava rosas e não adivinhava os espinhos...
          E o sonho se desfez um dia,o príncipe despiu as roupagens do encanto e as sedas e linhos desapareceram,dando lugar a um rufião,cínico e desprovido daquela ternura,imaginada por ela,movida pelos seus contos de fada e seu desejo infantil de um colo há muito perdido.



 ...................................................................................................... 

''O pior é se a aparência é de tal forma convincente, que nos embala nos atributos de que diz ser feita e ficamos cegos perante as certezas que nos quer impingir...
...Assim, será melhor ouvir o som de um tambor menos estrondoso...
Quanto maior o tambor, mais estridente é o som e mais enganoso se torna!
...E se as aparências não são, porventura senão outra espécie de vento, prefiro este último às aparências. Este é menos hipócrita e defendo-me da ventania conforme a sua intensidade...''
"A verdade existe. A mentira é que tem que ser inventada"-Marie Curie
Manuela Barroso


.....................................................................................................................................................................

                  E dezembro chegou,trazendo as chuvas e os dias quentes,as mangas e as romãs,o alvoroço dos últimos dias de aula,as despedidas das colegas e os cadernos de recordações...e o aniversário de quinze anos,tão esperado...as  amigas se reuniram em sua casa,a mãe fez um bolo e o vestido de organdi branco com pala de tule rodeada de renda guipure fez sua estréia...o sorriso nos olhos,a alegria na voz, como se debutante ela fosse...assim se sentia.

        Fim de ano,fim de ciclo,fim da meninice...

Julinho aos seis meses
                   Natal,alegria,Missa do galo,brincadeiras na calçada,vozes de crianças e de adultos,expectativas...janeiro se aproximava e a data do nascimento de mais uma criança,também.A mãe estava nos últimos dias de uma gravidez problemática...todos estavam apreensivos e durante toda a primeira quinzena aguardavam o que só foi acontecer na segunda quinzena,dia 25 de janeiro,dia de São Paulo,na cidade de São Paulo do Muriaé...às nove da manhã,quando todos se vestiam para a Missa,a mãe começou a se sentir mal , foram todos para o hospital e lá nasceu o irmão,que todos supuseram fosse se chamar Paulo,mas que, por motivo de uma promessa da mãe ,recebeu o nome de Julio Maria,em homenagem ao padre de quem ela era devota.


 Eu vou,mas voltarei....bjssssssss.


 

terça-feira, abril 03, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA ---- Saudades





Saudade da infância,das brincadeiras de chicotinho queimado,passar anel,mamãe posso ir?
e da mãe dizendo:-Pergunte ao seu pai...ele,por sua vez,respondia o mesmo...
Saudade do quintal sombreado pelas árvores,das flores coloridas e do ruído das cigarras,cantando até exalar o último suspiro...
Saudade das amigas:Lucina,Orcélia,Wilma,Francisca,Sydnéia,Iris,Heloísa,do Carmo,Ozília e Ondina...das brincadeiras após a Missa das nove,dos risos e do ciúme quando a amiga do Rio chegava,Margarida era o seu nome...


     " A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
      age como um deus doente,mas como um deus.
      PORQUE EMBORA AFIRME QUE EXISTE O QUE NÃO EXISTE
      Sabe como é que as coisas existem,que é existindo,
       Sabe que existir existe e não se explica
       Sabe que não há razão nenhuma para nada existir
       Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer."
                                                               Fernando Pessoa

  
        Chega a doçura e o desassossego que a ela se contrapôe,
o fervor das noites de insônia e a placidez das tardes de maio,
a rebeldia dos pensamentos tresloucados e o encantamento das manhãs envoltas em gaze e organdi...
chega a adolescência.
Dias desperdiçados(ou aproveitados?) em sonhos lilases,azuis e róseos...
dias de extremo sorrir,dias de intenso chorar...
embates se travam e rebelam-se todos os quereres...
cortinas se abrem e se fecham em uma sucessão de estréias e premiéres.
Uma nova peça,com novos atores,em uma avalanche de aplausos e de vaias.

....................         ........      ...........E a menina,que foi de cachos,que foi de tranças e hoje tem seus cabelos curtos e rebeldes,enfrenta o mundo dos quase adultos,com esperanças e medos,interrogações e certezas,numa (i)responsabilidade tão rica e tão destemida que assusta.
        O primeiro namorado(notem que não foi O PRIMEIRO AMOR),era irmão de uma amiga muito querida e as duas planejavam um futuro feliz(para elas),morando juntas em uma casa onde nào haveria panelas nem fogão,a comida viria em "marmitas"e os talheres seriam descartáveis...os pratos também.Mas ele,o principal interessado,era apenas um figurante...viveriam escrevendo e lendo,em um mundo idealizado por elas.Conclusão:ele se cansou do papel de namorado de mentira e se despediu,afirmando que ela era imatura demais para namorar.
         Mais tarde  histórias de amor aconteceriam,mas isto é uma  outra fase ...aguardem,eu voltarei.

segunda-feira, março 26, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA





E o tempo,este implacável condutor de nossas vidas,passou,célere e inexorável... e vamos
 encontrar nossa menina,sem suas tranças,de cabelos rebeldes e quase indomáveis,na altura dos ombros...e era um tal de fazer touca(enrolar ao redor da cabeça,prendendo com grampos),passá-los a ferro ou enrolá-los com bobbies térmicos,verdadeiro suplício a que se submetia na esperança de tê-los lisos como de Judy Garland ou com ondas largas e sedosas como os da tia amada e idolatrada,salve ,salve...

Os bobbies,não sei se alguma de vocês conheceu,eram cheios de água e se colocados para ferver e enrolados ainda quentes nos cabelos,produziam belos cachos ou largas ondas em suas teimosas madeixas.O efeito era natural e domava aqueles rebeldes fios...e era muito cabelo para uma só cabeça,os braços doiam, mas o que não se fazia em nome da vaidade!!!
      Aos domingos,o passeio na praça João Pinheiro era sagrado...e andavam de braços dados as amigas,dando voltas à praça e os rapazes, na direção contrária, andavam do lado de fora do passeio e se encontravam,volta após volta.Era aí que surgiam os flertes que mais tarde se transformariam em namoro.Namoros estes que,um dia seriam noivados,durando geralmente uns quatro ou cinco anos,até o casamento.Muitas se casaram antes mesmo de se formarem,pois as meninas daquela época só almejavam

Praça João Pinheiro  Muriaé /MG
uma coisa na vida(salvo algumas exceções):casar e criar uma família enorme.
                                                     E o que dizer da moda nos idos anos cinquenta?Vestidos rodados e três a quatro anáguas,para garantir uma bela roda,franzidos ou godés.Anos 50 ,a época da feminilidade...
Com o fim dos anos de guerra e do racionamento de tecidos, a mulher dos anos 50 se tornou mais feminina e glamourosa, de acordo com a moda lançada pelo "New Look", de Christian Dior, em 1947. Metros e metros de tecido eram gastos para confeccionar um vestido, bem amplo e na altura dos tornozelos. A cintura era bem marcada e os sapatos eram de saltos altos, além das luvas e outros acessórios luxuosos, como peles e jóias.
Essa silhueta extremamente feminina e jovial atravessou toda a década de 50 e se manteve como base para a maioria das criações desse período. Apesar de tudo indicar que a moda seguiria o caminho da simplicidade e praticidade, acompanhando todas as mudanças provocadas pela guerra, nunca uma tendência foi tão rapidamente aceita pelas mulheres como o "New Look" Dior, o que indica que a mulher ansiava pela volta da feminilidade, do luxo e da sofisticação.
E foi o mesmo Christian Dior quem liderou, até a sua morte em 1957, a agitação de novas tendências que foram surgindo quase a cada estação.

E a mãe já não costurava para ela,tinha uma costureira que,obediente aos seus caprichos,fazia-lhe os vestidos quase no corpo.
E eram lindos vestidos,de tafetá,de laise,de algodão,de cetim,seda ou organdi suíço(os mais bonitos)...alguns eram bordados,outros tinham detalhes de renda guipure que os valorizavam
e transformavam em verdadeiras obras de arte
Mas não pensem que se faziam vestidos todas as semanas..havia a necessidade de um evento,de uma celebração,de um aniversário,ou alguma festa religiosa...e,lógico,no Natal e no Ano Novo.
E os sapatos...ela adorava ,mas só se podia comprá-los duas vezes ao ano.
       E a nossa menina,na sua roda da vida,brincava de ser mulher e sonhava com um príncipe que um dia viria buscá-la para,nas rendas de seu destino,encontrar o sonho tão sonhado,o sorriso vestido de azul e os cabelos penteados com libélulas e borboletas...nenúfares habitariam os lagos de sua vida...arco íris refletiriam suas cores em suas vidraças,suas portas estariam cerradas para não fugir a felicidade e os dias seriam feitos de luzes com arrebóis alaranjados e alvoreceres perolados.
 .

Um beija-flor passou por aqui e deixou um beijo para você amigo(a)querido(a).Estou indo mas voltarei,se Deus quiser.Bjssssssssssssssssss



segunda-feira, março 19, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA




          Natal,crianças brincando nas calçadas e mostrando os presentes,orgulhosas e felizes...não tem maldade,elas só querem mostrar que o Papai Noel atendeu aos seus pedidos e lhes trouxe a boneca tão sonhada,o jogo de raquetes,a bola de volley,pianinhos e pianolas de todos os tipos,carrinhos coloridos e as tão desejadas bicicletas,lindas Monarks vermelhas , com farol e buzina...não queriam muito as crianças desta época,nos longinquos anos 1950.Mas,após a guerra,a situação nos lares de classe média,não era propícia a grandes gastos e nossa menina e sua irmã,não passavam necessidades,mas também não podiam se dar ao luxo de grandes e caros presentes...era um brinquedo para cada uma e deveriam ficar e ficavam muito felizes.Houve um Natal em que o pai (Papai Noel)lhes trouxe, uma boneca para a irmã e uma carrocinha de entregar leite para ela...naquele tempo o leite era entregue de porta em porta por uma carrocinha,puxada por cavalos e com uma espécie de barril,com uma torneira,por onde saia o leite...era linda a carroça,mas como brinquedo para uma menina de treze anos,era um horror.E a reação dela não foi nada agradável,chorou muito,pois Papai Noel(ela sabia que era um mito,mas a irmã,não),estava achando que ela era um menino.................

.

A     vida     não     é     a     que   a    gente     viveu,    e     sim   a   que     a     gente   recorda    ,e    como     recorda     para     contá-la.
 Gabriel Garcia Marquez 
Viver para contar.

E o sonho da menina de tranças é, agora, ,uma bicicleta(aos treze anos TODAS tem uma e sabem pedalar)...mas havia um problema:o pai falou que só daria a tão sonhada bicicleta,depois que ela aprendesse a andar.Então o que fazer?Apelar para a madrinha Orcélia,que poderia dar-lhe umas aulas...tudo combinado,marcaram hora e local para a iniciação:6 da tarde,em uma ladeira bem íngreme,e, no dizer da madrinha,o melhor local para se aprender...lembrem-se que ela era medrosa e a ideia da madrinha não lhe pareceu muito simpática,afinal,para quem não tinha noção de equilibrio,enfrentar uma descida era apavorante...mas,teve que aceitar e no dia marcado,na hora aprazada,dirigiram-se para o local,ela ,tremendo, e a madrinha,tranquila,calma,com sua bela bicicleta Monark,vermelha,reluzente.Ao chegarem ao cume da ladeira,pediu que ela montasse e segurasse com firmeza o guidon,olhando para a frente,sempre...os pés nos pedais já estavam e tremiam.Sua querida madrinha,então empurrou a bicicleta com força e gritou:segure firme e vai.Quase não preciso contar o final desta aventura,pois vocês já devem imaginar...foram parar lá em baixo,a menina praticamente voou e se esborrachou no chão com a bicicleta presa nas mãos...quando a madrinha chegou perto e lastimou os amassados de sua Monark,ela teve vontade de chutar as duas causadoras de um joelho todo arrebentado,sangrando profundamente ,
 braço e rosto cobertos de escoriações dolorosas...e o vestido,rasgado em várias partes...como explicaria à mãe?
               Nunca mais pediu ao pai que lhe comprasse uma bicicleta e só foi aprender a pedalar muito mais tarde,quando os filhos ganharam suas primeiras monaretas...mas aí já é uma outra historia.



to.
Monareta








Eu vou ,mas volto
..

quinta-feira, março 01, 2012

Minhas memórias de menina(minha irmã Tê)

A menina de cachos e seus pais






Para falarmos da irmã,teremos que fazer uma pequena visita ao passado,à casa dos avós e à meninice de nossa menina.



Ainda em Manhumirim(o trem não fazia parte de suas vidas),a nossa menina de cachos,com cinco anos,foi agraciada com um presente de Deus e de seus pais:uma irmãzinha,linda e meiga,a quem foi dado o nome de Teresinha Maria,em homenagem à santinha de devoção da mãe.,que fazia parte da irmandade de Sta Teresinha do Menino Jesus.E a mãe,piedosa,contava-lhes a história da santinha e elas se emocionavam com a beleza desta e os sacrifícios a que se submetia.                                            


O nascimento da irmã foi uma alegria para nossa menina dos cachos.Só lamentava o tamanho da irmã...como brincar com ela,queria tanto uma companhia...

......mas gostava de exibí-la às visitas,como se fora uma boneca,um novo e precioso brinquedo...
       Era um encanto de criança,sorria para todos e dificilmente chorava...rostinho redondo,narizinho arrebitado e cachinhos castanhos.Com todos estes atributos a todos conquistava e nossa menina de negros cachos,alegre,porém geniosa,sentiu-se um pouco preterida,principalmente no carinho do pai,a quem muito amava e de quem sentia um enorme ciume.
Por sua natureza e seus efeitos, o ciúme se aproxima da inveja. Porém, entre ciúme e inveja permanecem algumas diferenças. Na inveja, sentimos que outros possuem um bem que desejamos para nós, enquanto no ciúme  entendemos um bem que julgamos nosso e que não desejamos ver partilhado com outrem. (Pierre Charon)

Porém o tempo passou,célere e absoluto e vamos encontrá-las,já maiores ,em Muriaé,estudando no mesmo colégio e se sentindo mais próximas,apesar da diferença de idade que as separava...a irmã era tímida e gostava de ficar em casa,brincando com suas bonecas e suas mobilinhas de casinha.Uma coisa possuiam em comum:ambas gostavam
de ler e de estudar(a irmã, mais que ela ,estudava muito),de escrever,de música e de cinema.Aos domingos,após o almoço,a matinê era sagrada.Alguns filmes de que gostaram muito:
-Cantando na chuva
-As neves do Kilimanjaro
-Luzes da Ribalta
-Ivanhoé,o vingador do rei
-A princesa e o plebeu 
-A um passo da eternidade
-Lili
E vários outros,naquele cinema de interior,as faziam vibrar e sonhar com um mundo distante e iluminado,com seus astros e estrelas inatingíveis.
E sonhavam muito as meninas daquela época...mergulhavam nos livros de M.Delly e viam a vida com óculos cor de rosa...príncipes encantados e galãs de Hollywood,Bonequinhas de Luxo e Noviças Rebeldes,alimentavam seus sonhos e sua imaginação...com suas saias rodadas rodopiavam em grandes e majestosos salões... suas sandalinhas de saltinho dois e meio as conduziam a um mundo ideal,utópico talvez,mas para elas,as fadas e princesas de outrora,legítimo e realizável.
Quando foi que o sonho acabou?


 

Biblioteca das Moças foi uma coleção de romances publicada pela Companhia Editora Nacional, no Brasil, entre 1920 e 1960, especializada em literatura para jovens mulheres. A coleção era composta por cerca de 180 volumes, compreendendo romances de vários autores, a grande maioria assinada por M. Delly. Publicados entre 1920 e 1960 pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo, com a reedição de alguns exemplares nos anos 80. Os romances geralmente eram ambientados na França e possuíam enredos com estrutura bem definida[1]: o herói nobre e rico e a heroína plebéia e pobre, perfazendo uma trama complexa que finalizava com o casamento feliz, tal qual nos contos de fada. O casamento era apresentado como a redenção da mulher, e todos os romances terminavam com o encontro do herói com a "mocinha".




          E as duas irmãs,um belo dia,receberam a notícia:um novo bebê estava a caminho,e a mãe,que já não era tão nova,estava a inspirar cuidados.Uniram-se mais ainda,uma com quinze,a outra com dez anos,em uma tarefa:cuidar da casa,não deixando que a mãe se sobrecarregasse .E foi a avó,a encarregada de ensinar às duas as lidas da casa,varrer,encerar,lavar a louça e as PANELAS!!!Ai,que esta era a pior parte,mas onde encontravam uma forma de brincar(já haviam lido Pollyana e praticavam o "jogo do contente")...tinham que buscar cinza de arroz em um grande armazém e as pilhas de cinza(altíssimas e perigosas,pois havia braza embaixo)eram ótimas para se escorregar,mornas e macias.Deus as protegia e nunca se queimaram.
Todas as noites tomavam guaraná e dividiam a garrafa irmamente,colocando-a contra a luz para não errarem.Elas se amavam,muito,mas havia também momentos de briga,que a mãe resolvia,ternamente, na base do beliscão e do castigo.
      E nas férias iam para a praia,ou para Fervedouro,uma cidadezinha pequena onde havia um hotel com uma piscina de água mineral,corrente,na qual a irmã aprendeu rapidamente a nadar...e ela,com seu pavor à água,nem entrava. 
FERVEDOURO_MINAS GERAIS-Laudemar Martins Fonseca


 E a nossa menina,na companhia de sua irmã,passava as férias lendo e fazendo enormes caminhadas,neste lugar de clima privilegiado e de águas minerais saudáveis e curativas.E foi neste local,numa bela tarde,em que se deliciavam com o canto dos pássaros e viam o dia correr preguiçoso,que um pernilongo a picou na perna e deixou-a imobilizada por vários dias...era alérgica e ninguém disto suspeitava...sua perna inchou e se cobriu de feridas que escorriam e se propagavam.Havia um médico hospedado no hotel e,consultado,decretou:-Vamos ter que amputar esta perna.Mas  o pai não aceitou esta sentença e levou-a para Carangola,onde moravam os avós e um primo médico...ainda bem que o pai não aceitou a primeira opinião.A perna foi devidamente tratada e curada pelo primo.


Novamente interromperei o fluxo da narrativa.Voltarei daqui a uma semana...aguardem.

Minha querida e linda sobrinha Marcela, A vida é uma eterna ciranda a nos conduzir prá lá e pracá... e em uma destas voltas viemos para Tere...

Postagens mais visitadas