SONHOS E ENCANTOS

SONHOS E ENCANTOS

segunda-feira, março 19, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA




          Natal,crianças brincando nas calçadas e mostrando os presentes,orgulhosas e felizes...não tem maldade,elas só querem mostrar que o Papai Noel atendeu aos seus pedidos e lhes trouxe a boneca tão sonhada,o jogo de raquetes,a bola de volley,pianinhos e pianolas de todos os tipos,carrinhos coloridos e as tão desejadas bicicletas,lindas Monarks vermelhas , com farol e buzina...não queriam muito as crianças desta época,nos longinquos anos 1950.Mas,após a guerra,a situação nos lares de classe média,não era propícia a grandes gastos e nossa menina e sua irmã,não passavam necessidades,mas também não podiam se dar ao luxo de grandes e caros presentes...era um brinquedo para cada uma e deveriam ficar e ficavam muito felizes.Houve um Natal em que o pai (Papai Noel)lhes trouxe, uma boneca para a irmã e uma carrocinha de entregar leite para ela...naquele tempo o leite era entregue de porta em porta por uma carrocinha,puxada por cavalos e com uma espécie de barril,com uma torneira,por onde saia o leite...era linda a carroça,mas como brinquedo para uma menina de treze anos,era um horror.E a reação dela não foi nada agradável,chorou muito,pois Papai Noel(ela sabia que era um mito,mas a irmã,não),estava achando que ela era um menino.................

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A     vida     não     é     a     que   a    gente     viveu,    e     sim   a   que     a     gente   recorda    ,e    como     recorda     para     contá-la.
 Gabriel Garcia Marquez 
Viver para contar.

E o sonho da menina de tranças é, agora, ,uma bicicleta(aos treze anos TODAS tem uma e sabem pedalar)...mas havia um problema:o pai falou que só daria a tão sonhada bicicleta,depois que ela aprendesse a andar.Então o que fazer?Apelar para a madrinha Orcélia,que poderia dar-lhe umas aulas...tudo combinado,marcaram hora e local para a iniciação:6 da tarde,em uma ladeira bem íngreme,e, no dizer da madrinha,o melhor local para se aprender...lembrem-se que ela era medrosa e a ideia da madrinha não lhe pareceu muito simpática,afinal,para quem não tinha noção de equilibrio,enfrentar uma descida era apavorante...mas,teve que aceitar e no dia marcado,na hora aprazada,dirigiram-se para o local,ela ,tremendo, e a madrinha,tranquila,calma,com sua bela bicicleta Monark,vermelha,reluzente.Ao chegarem ao cume da ladeira,pediu que ela montasse e segurasse com firmeza o guidon,olhando para a frente,sempre...os pés nos pedais já estavam e tremiam.Sua querida madrinha,então empurrou a bicicleta com força e gritou:segure firme e vai.Quase não preciso contar o final desta aventura,pois vocês já devem imaginar...foram parar lá em baixo,a menina praticamente voou e se esborrachou no chão com a bicicleta presa nas mãos...quando a madrinha chegou perto e lastimou os amassados de sua Monark,ela teve vontade de chutar as duas causadoras de um joelho todo arrebentado,sangrando profundamente ,
 braço e rosto cobertos de escoriações dolorosas...e o vestido,rasgado em várias partes...como explicaria à mãe?
               Nunca mais pediu ao pai que lhe comprasse uma bicicleta e só foi aprender a pedalar muito mais tarde,quando os filhos ganharam suas primeiras monaretas...mas aí já é uma outra historia.



to.
Monareta








Eu vou ,mas volto
..

quinta-feira, março 01, 2012

Minhas memórias de menina(minha irmã Tê)

A menina de cachos e seus pais






Para falarmos da irmã,teremos que fazer uma pequena visita ao passado,à casa dos avós e à meninice de nossa menina.



Ainda em Manhumirim(o trem não fazia parte de suas vidas),a nossa menina de cachos,com cinco anos,foi agraciada com um presente de Deus e de seus pais:uma irmãzinha,linda e meiga,a quem foi dado o nome de Teresinha Maria,em homenagem à santinha de devoção da mãe.,que fazia parte da irmandade de Sta Teresinha do Menino Jesus.E a mãe,piedosa,contava-lhes a história da santinha e elas se emocionavam com a beleza desta e os sacrifícios a que se submetia.                                            


O nascimento da irmã foi uma alegria para nossa menina dos cachos.Só lamentava o tamanho da irmã...como brincar com ela,queria tanto uma companhia...

......mas gostava de exibí-la às visitas,como se fora uma boneca,um novo e precioso brinquedo...
       Era um encanto de criança,sorria para todos e dificilmente chorava...rostinho redondo,narizinho arrebitado e cachinhos castanhos.Com todos estes atributos a todos conquistava e nossa menina de negros cachos,alegre,porém geniosa,sentiu-se um pouco preterida,principalmente no carinho do pai,a quem muito amava e de quem sentia um enorme ciume.
Por sua natureza e seus efeitos, o ciúme se aproxima da inveja. Porém, entre ciúme e inveja permanecem algumas diferenças. Na inveja, sentimos que outros possuem um bem que desejamos para nós, enquanto no ciúme  entendemos um bem que julgamos nosso e que não desejamos ver partilhado com outrem. (Pierre Charon)

Porém o tempo passou,célere e absoluto e vamos encontrá-las,já maiores ,em Muriaé,estudando no mesmo colégio e se sentindo mais próximas,apesar da diferença de idade que as separava...a irmã era tímida e gostava de ficar em casa,brincando com suas bonecas e suas mobilinhas de casinha.Uma coisa possuiam em comum:ambas gostavam
de ler e de estudar(a irmã, mais que ela ,estudava muito),de escrever,de música e de cinema.Aos domingos,após o almoço,a matinê era sagrada.Alguns filmes de que gostaram muito:
-Cantando na chuva
-As neves do Kilimanjaro
-Luzes da Ribalta
-Ivanhoé,o vingador do rei
-A princesa e o plebeu 
-A um passo da eternidade
-Lili
E vários outros,naquele cinema de interior,as faziam vibrar e sonhar com um mundo distante e iluminado,com seus astros e estrelas inatingíveis.
E sonhavam muito as meninas daquela época...mergulhavam nos livros de M.Delly e viam a vida com óculos cor de rosa...príncipes encantados e galãs de Hollywood,Bonequinhas de Luxo e Noviças Rebeldes,alimentavam seus sonhos e sua imaginação...com suas saias rodadas rodopiavam em grandes e majestosos salões... suas sandalinhas de saltinho dois e meio as conduziam a um mundo ideal,utópico talvez,mas para elas,as fadas e princesas de outrora,legítimo e realizável.
Quando foi que o sonho acabou?


 

Biblioteca das Moças foi uma coleção de romances publicada pela Companhia Editora Nacional, no Brasil, entre 1920 e 1960, especializada em literatura para jovens mulheres. A coleção era composta por cerca de 180 volumes, compreendendo romances de vários autores, a grande maioria assinada por M. Delly. Publicados entre 1920 e 1960 pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo, com a reedição de alguns exemplares nos anos 80. Os romances geralmente eram ambientados na França e possuíam enredos com estrutura bem definida[1]: o herói nobre e rico e a heroína plebéia e pobre, perfazendo uma trama complexa que finalizava com o casamento feliz, tal qual nos contos de fada. O casamento era apresentado como a redenção da mulher, e todos os romances terminavam com o encontro do herói com a "mocinha".




          E as duas irmãs,um belo dia,receberam a notícia:um novo bebê estava a caminho,e a mãe,que já não era tão nova,estava a inspirar cuidados.Uniram-se mais ainda,uma com quinze,a outra com dez anos,em uma tarefa:cuidar da casa,não deixando que a mãe se sobrecarregasse .E foi a avó,a encarregada de ensinar às duas as lidas da casa,varrer,encerar,lavar a louça e as PANELAS!!!Ai,que esta era a pior parte,mas onde encontravam uma forma de brincar(já haviam lido Pollyana e praticavam o "jogo do contente")...tinham que buscar cinza de arroz em um grande armazém e as pilhas de cinza(altíssimas e perigosas,pois havia braza embaixo)eram ótimas para se escorregar,mornas e macias.Deus as protegia e nunca se queimaram.
Todas as noites tomavam guaraná e dividiam a garrafa irmamente,colocando-a contra a luz para não errarem.Elas se amavam,muito,mas havia também momentos de briga,que a mãe resolvia,ternamente, na base do beliscão e do castigo.
      E nas férias iam para a praia,ou para Fervedouro,uma cidadezinha pequena onde havia um hotel com uma piscina de água mineral,corrente,na qual a irmã aprendeu rapidamente a nadar...e ela,com seu pavor à água,nem entrava. 
FERVEDOURO_MINAS GERAIS-Laudemar Martins Fonseca


 E a nossa menina,na companhia de sua irmã,passava as férias lendo e fazendo enormes caminhadas,neste lugar de clima privilegiado e de águas minerais saudáveis e curativas.E foi neste local,numa bela tarde,em que se deliciavam com o canto dos pássaros e viam o dia correr preguiçoso,que um pernilongo a picou na perna e deixou-a imobilizada por vários dias...era alérgica e ninguém disto suspeitava...sua perna inchou e se cobriu de feridas que escorriam e se propagavam.Havia um médico hospedado no hotel e,consultado,decretou:-Vamos ter que amputar esta perna.Mas  o pai não aceitou esta sentença e levou-a para Carangola,onde moravam os avós e um primo médico...ainda bem que o pai não aceitou a primeira opinião.A perna foi devidamente tratada e curada pelo primo.


Novamente interromperei o fluxo da narrativa.Voltarei daqui a uma semana...aguardem.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

MINHAS MEMÓRIAS DE MENINA







E nossa


 menina está radiante de felicidade,morando na Rua São Pedro,perto de várias coleguinhas de sala de aula,convivendo com elas e suas famílias,conhecendo várias outras pessoas,alegres companhias para os folguedos e brincadeiras de fim de tarde,após o banho e o jantar.E eram muitas amigas a se reunir para as rodas enormes,para o pique de esconder,as queimadas,chicotinho queimado,passar anel e muitas outras que não me vem à memória...e às nove horas as mães começavam a chamar e todas, obedientemente,se recolhiam às suas casas,sem retrucar e sem reclamar.Ainda não havia televisão,somente o rádio,centro das atrações,com suas novelas e séries:
 Em 12 de julho de 1941, às 10h30, teve início ‘Em busca da felicidade’,primeira radionovela transmitida no país, através da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A obra mexicana foi escrita por Leandro Blanco, com adaptação de Gilberto Martins. Seus capítulos ficaram no ar por aproximadamente três anos.Após seu término, começou a cubana ‘O direito de nascer’, que foi a principal radionovela do Brasil.
 Outra novela que fazia sucesso,Jerônimo, o Herói do Sertão,era a preferida de nossa menina,trazia-lhe a lembrança do avô,seu herói da infância e uma recordação que a acompanharia por toda a sua vida...

O personagem Jerônimo, o Herói do Sertão, foi criado em 1953 por Moysés Weltman, como uma radionovela.

Enredo

Cerro Bravo, uma cidade do interior paulista, é dominada pelo Coronel Saturnino Bragança, rico fazendeiro que toma terras e obriga outros fazendeiros a entregarem suas propriedades, com a ajuda de seus capangas, alegando que suas escrituras são falsas. Todos temem o coronel, inclusive o prefeito. Por isso, apenas um misterioso cavaleiro escondido na mata é capaz de ajudar a população da cidade.
Esse cavaleiro é Jerônimo que, ao lado da noiva Aninha e do Moleque Saci, enfrenta as injustiças sociais, pondo os inimigos a correr a toque de bala.
No meio da história Jerônimo descobriu que o Coronel na verdade era membro de uma organização conhecida por "Mão Negra", cujo comandante só teria a identidade revelada no último episódio.

E seu mundo era povoado por estes personagens e mais,O Sombra ,,que logo no início tinha a voz grave de Jacy Ribeiro::-Quem sabe o mal que existe no coração do homem...(uma risada gutural)e em seguida:-O Sombra sabe.
E o suspense que arrepiava,mas era desejado por ela e por todas as amigas,assunto para o dia seguinte na hora do recreio.
Ah,o recreio...era o momento de colocar os assuntos em dia,de trocar ideias , de brincadeiras e jogos.Durava exatos trinta minutos,bem aproveitados por ela e pelas colegas.
E havia os cadernos de pensamentos e mensagens,os quais passavam de colega para colega,onde escreviam e descreviam as emoções mais íntimas,onde derramavam as ilusões e os sonhos...mas,quando uma das freiras os pegavam eram "sequestrados" e,muitas vezes não mais recuperados.
E os "ramalhetes espirituais", executados em papel de linho,finamente decorado com desenhos de anjos e serafins...e uma lista de sacrifícios e ofertas,que as aproximavam das mártires do cristianismo:
Penitências--------------- 12
Jaculatórias---------------50
Abstinências--------------20
Missas---------------------15
Sacrifícios-----------------20

E ia por aí afora esta lista,considerada por todas uma espécie de salvo conduto para o paraíso.
De manhã,ao chegarem ao colégio,havia um momento mágico:na capela,a oração em conjunto com o capelão,Pe Maximino,um encanto de pessoa,um santinho,sempre com uma palavra de carinho para cada uma das meninas...e a música,o incenso,um convite à reflexão e às orações.

        Meu pensamento acompanha a menina de tranças e ela cresce e resolve cortar os cabelos...caem por terra as madeixas e voam para bem distante os dias da meninice...
       Os sonhos continuam,mas as brincadeiras cedem lugar a um início de vaidade,o corpo começa a tomar forma e compra o seu primeiro soutien(era assim que se escrevia).
       Sua mãe deixa de costurar para ela,pois está muito exigente(se achando)e pede que procure uma costureira...seus vestidos rodados,godê franzido ou plissados,gastam de três a quatro metros de tecido...as anáguas são duas ou três,engomadas para ficarem bem armadas, as primeiras sandálias de salto,o primeiro baton e...o primeiro namorado.

          Mas ainda não falamos na irmã,esta merece todo um capítulo e o terá...daqui a exatamente uma semana.
     
             Eu vou,mas voltarei...aguardem.  

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

MEMÓRIAS DE MENINA








>Deixamos a nossa menina de tranças em seu colégio e com grandes amizades já conquistadas...
Sua vida corria mansa e sem grandes sobressaltos,aulas pela manhã,almoço,tarefas da escola e compras para a mãe,após o almoço.De tardinha o lazer na praça,o jogo,as rodas,a brincadeira de passar anel,as histórias que gostava de contar e as amigas  de escutar...
        A amiga Lucina era a mais querida e juntas planejavam conquistar o mundo e enquanto não o faziam,tentavam pequenas aventuras de menor porte...de uma feita,após a aula de piano da amiga se uniram a outras três para pular um muro e pegar laranjas no quintal de outra colega(na inocência,achavam que não era errado,afinal eram colegas).Não contavam com a presença da mãe da amiga no quintal e esta ao vê-las,começou a gritar::socorro,socorro!!!Subiram correndo o muro e correndo fugiram,mas Lucina,na pressa,esqueceu suas partituras de piano debaixo da laranjeira...que vergonha,no dia seguinte,na escola, a amiga se aproxima,devolve as partituras e diz que a mãe havia mandado laranjas para todas,não precisavam pular o muro para consegui-las...
           Havia tambem a ponte do Dr Brum,uma aventura emocionante para todas,menos para ela...a nossa menina não tinha coragem de atravessar a ponte que não tinha guarda mão e balançava sobre o rio,atemorizando-a.As outras meninas enfrentavam a ponte galhardamente,mas ela nunca conseguiu esta proeza. 
          Mas a praça,com seu belo relógio,era ainda o local preferido ,ali se reuniam para combinar passeios,para as conversas da tarde e para os primeiros flertes,assunto ainda proibido,mas a curiosidade já começava a despertar.



         Novamente o pai chega em casa com uma novidade:estava comprando uma casa,na rua São Pedro,lugar privilegiado da cidade,perto do centro,arborizada e com uma pracinha linda bem próxima à casa.Que felicidade tomou conta daquela familia!E foram todos juntos ao encontro do sonho,há muito acalentado pela mãe.Foi a alegria de todos,uma casa de dois pavimentos,com uma escada lateral,conduzindo a uma simpatica varanda,ideal para as plantas,samambaias,antúrios,avencas e tinhorões de todas as cores.

 Um novo capitulo está prestes a começar na vida de nossa menina,uma nova rua,novas amizades,novos sonhos a serem acalentados...e a pracinha era linda,com caramanchão,canteiros com flores e uma promessa de dias muito felizes.Ah,e o jornaleiro morava perto e era um italiano de sorriso bondoso,o Sr Emilio Mannarino,cujas filhas eram suas colegas:Ozilia e Atia,lindas e alegres,oriundas de uma familia feliz e enorme na quantidade de pessoas  e na generosidade dos corações.
 Grandes coisas ainda acontecerão na vida de nossa menina,ainda de tranças e laço de fita nos cabelos.Aguardem.Voltarei daqui a 7 dias.
     Bjssssssss,
              Leninha




quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Memórias de menina







O Colégio

    Ainda morando no hotel,a nossa menina de tranças foi conhecer o colégio onde estudaria da quinta série primária até o término do curso Normal.Seu sonho era fazer o Admissão,mas a mãe e o pai não concordavam,achavam que ficaria sem "base" para mais tarde...para quem não sabe,em priscas eras usáva-se fazer um exame,cujo nome era Admissão,para da quarta série primária se ingressar diretamente no Primeiro Ano Ginasial...quem não o fizesse teria que fazer a quinta série primária,o que significava uma repetição ou um reforço de tudo que se estudara no Primário.Como ela já havia feito um curso muito bem feito,julgava perda de tempo estudar tudo novamente.Explicações dadas,voltemos à nossa história.
Já mostrei,em outra postagem mais antiga o meu querido Colégio,mas para quem não a viu,ei-la:



Meu pensamento viaja ao passado e vai ao encontro de uma menina de nove anos,falante,alegre e extrovertida,vestida de azul e branco,saia pregueada e blusa de fustão branco,prestes a entrar em seu novo colégio,para fazer a quinta série...quantas esperanças em relação àquele que seria o seu rumo e seu compasso,durante os próximos oito anos de sua vida...Colégio Santa Marcelina...as iniciais na gravata que ela,orgulhosamente,portava...o sonho, em sua cabecinha,menina já com responsabilidades de mulher:cuidar da irmãzinha mais nova,levá-la à pracinha,pentear-lhe os longos cabelos,contar-lhe as histórias do livro que era seu maior tesouro e que o avô/padrinho havia trazido do distante Rio de Janeiro(ainda não havia asfalto e o avô morava em Manhumirim/MG)e,depois que ela dormia embalada por suas histórias,ler mais algumas esperando o sono chegar ou a mãe:"menina,trata de dormir prá acordar cedo amanhã!",,,e o livro tinha que ser deixado de lado,com um enorme pesar.Nunca foi de muito dormir,naquela época,sua cabecinha era um turbilhão de ideias e sempre um sonho:crescer e ser uma escritora.
       O colégio lhe parecia o fio condutor de suas esperanças,fez a quinta série com facilidade,logo aprendeu todas as lições do livro "Preparatório  ao alcance de todos",com exceção da MATEMÁTICA,que se chamava ARITMÉTICA e era o seu BICHO-PAPÃO...tinha pesadelos, com números a atacá-la,sofria na época das provas, como se fossem um vestibular...e a mãe ameaçava:"se não passar de ano,vai sair do colégio e vai para a cozinha!!!!''.Tomou horror de fogão e de cozinhar...
       Mas,chegou o final do ano e suas notas foram brilhantes...até na malfadada aritmética...e passou para a primeira série ginasial...e se encantou com as matérias novas:Latim(O latim do ginásio--Prof,Vandick da Nóbrega)
Este foi o livro que mais a FASCINOU,parecia a chave de todo o conhecimento e,empolgada,o lia e as colegas não lhe alcançavam o entusiasmo,não entendiam o que se passava em sua cabeça.Depois os outros a encantá-la:o de Francês,o de Inglês ,o de História Geral, e  o de História do Brasil  e o de PORTUGUÊS.!!!

      E mais,escreverei de outra feita.







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COLÉGIO STA MARCELINA
PÁTIO DO  COLÉGIO  SANTA MARCELINA


E nossa menina se encantou com as freiras,com o Colégio e a sua vontade era ficar alí o dia inteiro e depois dormir naqueles amplos dormitórios,com dezenas de colegas e se imaginava com aquele uniforme do internato,muito mais bonito que o do externato.
Mas ,há sempre um mas em todas as histórias,os pais não concordaram,como de outra feita em Ponte Nova e ela teve que se conformar.
A estas alturas o pai chega no hotel com uma novidade:conseguira uma casa,nos moldes pré determinados  pela mãe:ampla,arejada,perto do centro e mais ou menos perto do colégio e da igreja.
Hoje em dia,seria considerado longe para se ir a pé,mas naquela época todos andavam sem reclamar,ninguém tinha hábito de andar de carro ou de ônibus.
E nossa menina vibrou com a notícia,finalmente teria uma casa onde levaria as colegas,o que no hotel era impraticável.
rua se chamava Rosário e era bem perto da praça onde ela gostava de ir à tardinha jogar peteca.Havia um simpático senhor de cabelos branquinhos que gostava de reunir as crianças para com elas jogar.E tinha o hábito de a cada acerto,falar um adjetivo e todos tinham que estar bem "afiados",com uma provisão grande de adjetivos para cada petecada certa.Era muito divertido ver as crianças gritando:magnífico,extraordinário,estupendo,inenarrável,grandioso,e outros mais.




Hoje o simpático senhor seria classificado de pedófilo...





E a vidinha corria entre um jogo de peteca,um piquenique com as colegas,um aniversário e as festas religiosas.Uma delas era a preferida,o mês de Maria,mês de maio,com suas rezas,suas coroações e suas quermesses.Que felicidade ,vestir a roupa de anjo ou de virgem e ir para a igreja,depois receber ou distribuir as sacolinhas com balas de coco.Após a coroação,é claro.

Uma boa noite para todos que por aqui passarem.Bjssssssss

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

RETOMANDO AS MEMÖRIAS DE CRIANÇA




Construído em 1886, o ramal de Muriaé pertencia à antiga Estrada de Ferro Leopoldina. Ligava Muriaé a Patrocínio do Muriaé, passando por Ivaí. Em Patrocínio, fazia-se a junção com a linha principal, onde passageiros e cargas seguiam para a cidade do Rio de Janeiro. Trouxe para a cidade grande progresso. Em 1898, a companhia foi incorporada por ingleses e passou a se chamar “The Leopoldina Railway Company”. Em meados do século XX, com a chegada das rodovias, tornou-sese deficitária e foi desativada.
E foi nesta estação que desembarcou a nossa menina,agora de longas tranças e sorriso nos läbios,imaginando as aventuras que a aguardavam nesta nova e bela cidade.Foram morar em um hotel,enquanto procuravam uma casa de acordo com as especificações e preferências da mãe:perto do centro,de uma igreja e de uma escola.Estas preferências diminuiam as chances de se mudarem em um tempo curto e traziam alegria `a nossa menina,que adorava o ambiente do hotel,com pessoas indo e vindo de toda parte do païs...era curiosa e estava sempre conversando com todos,querendo saber dos häbitos e costumes de cada região.
        Fez amizade com os netos da dona do hotel e se encantava com a vida deles,com chance de conhecer tantas pessoas,de viajar por estas vidas tão ricas...e eles riam e achavam que ela era uma menina diferente,com pensamentos estranhos.
No blog de Zulnara Pires,que conheci na infância,encontrei este importante acervo ,que veio enriquecer minha narrativa:
"...Sendo uma verdade que "o tempo não traz de volta o que o tempo leva", por vezes é bom renovar o passado. Percorrer locais em que habitamos e que a hora tardia esvaziou da gente e dos sons que o habitam. Entrar neles lentamente, quase em reverência. Pisar o chão devagarinho, para não acordar o presente. Sorrir ao vazio em conforto melancólico. E apesar de tudo o que o tempo ali mudou, saber ainda refazer cada passo, reconhecer a pedra torta, a árvore que falta, saber ainda das alegrias, do lugar, dos medos, escutar as gargalhadas, os passos, o roçar das malas e dos casacos como se naquele momento conosco se cruzassem invisíveis observadores. Buscamos nesta viagem temporal não os lugares, mas a nós mesmos. Revisitamos quem fomos, relembramos um certo tipo de inocência, de otimismo e de limpidez no olhar e, no final sorrimos a quem fomos com a melancolia, a maturidade e a sabedoria do presente...”                                                                                                        Ate outro dia...retornarei,podem estar certos...    E antes que a melancolia me domine,pisarei o chão devagarinho e me recolherei deixando para você,meu amigo leitor, a limpidez do olhar e a inocência da criança que ,dentro de mim,ainda habitam.
São as crianças que vêem as coisas – porque elas as vêem sempre pela primeira vez com espanto, com assombro de que elas sejam do jeito como são. Os adultos, de tanto vê-Ias, já não as vêem mais. As coisas as mais maravilhosas – ficam banais. Ser adulto é ser cego.RUBEM  ALVES


quarta-feira, fevereiro 01, 2012

RETORNANDO

Retornando,mas com o teclado completamente enlouquecido,sem os sinais graficos(vou ter que escrever sem acentuar nenhuma palavra)...vou tentar encontrar palavras que dispensem acentos.Vai ser um desafio escrever sem um nAo,uma cedilha e otras cositas mas,mas tentarei n~ao submet^e-los a este tipo de leitura (bastante cansativo,reconheÇo).Ou adotarei o computador de meu irmAo para as postagens,pois jâ nâo tenho mais meus arquivos(Sumiram todos)

     BOM DIA PARA TODOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, janeiro 21, 2012

Amigos queridos,meu computador está parado para um pequeno tratamento e só  retornarei às postagens e comentários quando ele estiver completamente curado.

            Sinto muitíssimo,vocês não imaginam quanto.É como se tirassem um pedaço de mim...

              Bjsssssss

quarta-feira, janeiro 18, 2012

UM POUCO DE CLARICE


Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.
Clarice Lispector


Aguardem:segunda feira retornarei às memórias de menina.
     Bjsssssss,
               Leninha

segunda-feira, janeiro 16, 2012

FÉRIAS!!!

Um pouco das minhas férias/ Vida Atual

Interrompendo as minhas memórias de criança para partilhar com vocês um pouco das minhas férias,com a minha família.
Ano Novo:Ana Paula,Carlos Augusto,Vovó Leninha,Tia Marilda,Alexandre e João Marcos
A família toda no Alto da Boa Vista


Neste dia tentamos ir ao Corcovado,mas as filas quilométricas nos fizeram desistir...mas não desanimamos,deixamos para o dia seguinte.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

PONTE NOVA



PONTE NOVA


Esta era a cidade,na época em que lá chegamos...casas

antigas,muito belas e,foi para uma destas casas que nos dirigimos,meu pai e eu,por recomendação da Madre Superiora do Colégio Maria Imaculada.

       
 Segurando a mão de meu pai,eu não tinha a mesma segurança que sentia na estação e no Colégio...era uma escola particular,com turmas formadas por meninos e meninas,a professora,logicamente não era uma freira e,sim uma moça linda,parecida com minha tia...Sônia Marinho Lanna,era o seu nome e todos a chamavam de Soninha.
       A casa era imensa,com dois andares,portas enormes com maçanetas de porcelana,assoalho de tábuas largas,encerado,impecável...quadros com fotos da família nas paredes,salas atapetadas,móveis Chipendelle,um aroma de passado e um aspecto vetusto em todos os ambientes.
       Ela se surpreendia com o inesperado,estudar sem suas amadas freiras,em uma casa de família,com colegas de ambos os sexos e que já estariam familiarizados entre si e com a mestra...havia também a mãe da professora,que também dava aulas,Dona Elisa,matrona simpática a sorrir para ela e a lhe dar as boas vindas.
     Tudo combinado...as aulas começariam já no dia seguinte...novamente a pasta de couro com seu cheiro peculiar...seus cadernos,livros e...o uniforme???Não,não haveria uniforme,poderia ir com um de seus vestidos,ali não havia este tipo de exigência.
      Mal dorme à noite,na expectativa do dia seguinte...que chega e lá vai a nossa menina de tranças,com seu vestido xadrez,de tafetá de algodão,com suas tranças presas por uma fita igual ao vestido,sua pasta na mão e o coração apertado...segura as lágrimas e vai.
      Vamos falar um pouco de sua nova casa...fica no alto,para chegar até lá,são 180 degráus ou uma ladeira íngreme...ao lado de sua casa,uma igreja e atrás desta um cemitério.Casa pequena,tipo bangalô(na época era este o nome)com uma entrada lateral...na frente,uma varanda e uma vista linda da cidade.Tem poucos vizinhos e só três meninas(ela que gosta tanto de ter amigos).Em Pouso Alegre eram muitos,não pode deixar de comparar,apesar da mãe recriminá-la por isto:-Para de viver no passado,menina!!!Mas ela sente falta da casa dos avós(não tem como se esquecer,era a sua vida que lá ficara),dos amigos de Pouso Alegre e de seu colégio...

   O encontro com os novos colegas foi tranquilo,não nos esqueçamos que ela era muito comunicativa,gostava de fazer amizades...seus primeiros amigos  foram Glorinha e Carlinhos Bergamini,moradores de Palmeiras,local onde ficava o Colégio dos seus sonhos...espantava-se por não estudarem lá e perguntou-lhes o motivo...responderam-lhe que seria impossível,já que sempre estudaram juntos e lá era uma escola só de meninas.
    Com o tempo fez outras amizades,acostumou-se com a escola e as professoras...estava mais adiantada que eles,pois estudara em um colégio de regime severo e exigências maiores.Fez a terceira série com tranquilidade e passou para a quarta com notas excelentes.Um fato a marcou naquele ano:o recreio era de meia hora e brincavam todos juntos,meninos e meninas...sua convivência com os meninos era mínima,preferia brincar com as meninas.Um dos meninos,um dia,durante o recreio tentou beijá-la e ela,revoltadíssima bateu-lhe com a lata de biscoitos que era sua merendeira.Foi um drama,o menino começou a chorar e ela ficou de castigo,sem recreio até o final da semana...

     Era uma lata parecida com esta...coisas de criança acostumada a brincar só com meninas,mas o pai do menino era colega de seu pai no Banco e isto lhe rendeu um castigo em casa também.
    E sua vidinha transcorria em paz,brincava à noite com as meninas da vizinhança e no final das brincadeiras,iguais às de Pouso Alegre ,só que com sotaque diferente...teve que aprender novamente a falar.No final das brincadeiras,sentavam-se na calçada e ela contava histórias,intermináveis histórias para as amigas que nunca tinham ouvido falar em Branca de Neve,Cinderela,O Gato de Botas,Cachinhos de Ouro,Joãozinho e   Maria e tantas outras...era o seu momento artístico,pois contava e representava e floreava,feliz da vida,vendo a alegria naqueles rostinhos.E quando se deitava eram estes rostinhos que a faziam dormir,enlevada,enternecida,plena.
       Foi nesta época que cumpriu a promessa de sua avó materna...fez a primeira Comunhão e para tal,viajou para Carangola,onde estavam morando os avós paternos...isso mesmo,foi rever os avós queridos a tia linda e carinhosa,os tios e primos,a sua família amada.O avô havia vendido o Armazém de café e comprara um restaurante/bar em Carangola...que maravilha,teria chocolate e balas de graça!!!            Outra viagem,desta vez de automóvel com o avô dirigindo,lindo o carro,mas o cheiro de gasolina era terrível e seu estômago quase ficou perdido naquela estrada...
       A igreja era de Sta Luzia e a tia lhe fez o vestido,branco,comprido e bordado com  vidrilhos  e paetês...uma noiva,assim ela se sentia,só, atravessando a nave da Igreja ,com todos a olhá-la ...e depois a festa,no restaurante do avô,com músicos a tocar,doces feitos pela avó,salgados e um bolo...era o mais bonito que ela havia visto em toda a sua vida.  E todos os primos   ali reunidos,os tios felizes,compartilhando com ela,até o bisavô estava presente...que felicidade!!!
        Foram dias mágicos os que ela passou em Carangola...voltou para casa reabastecida de felicidade...foi nesta época que aprendeu a guardar os momentos em seu coração(provisão de felicidade)e lustrá-los todas as noites,para que estivessem sempre prontos,quando os dias não fossem tão amenos...
        Terminou a quarta série em Ponte Nova  e pouco tempo depois recebeu a notícia de que a querida vovó Alzira estava doente...o pai pediu transferência para Carangola,para junto dela ficar,mas não houve tempo...foi às pressas para lá e ainda conseguiu encontrá-la com vida,e durante dois dias assistiu a sua agonia,até que ela se foi...este foi para ela o dia mais triste de sua vida,ficou durante muitos dias com uma cartinha que a vózinha lhe havia escrito,dentro de sua pasta da escola e,sempre que podia,lia um pouquinho,desejando estar mais um pouquinho com ela.
             E novamente o tempo correu,célere...a transferência que o pai havia pedido,foi concedida,agora sem necessidade...e não para Carangola,para Muriaé...
Outra mudança...outro trem...nova estação...........................................................................

        AMIGOS,vou embarcar neste trem,mas voltarei...                   

Minha querida e linda sobrinha Marcela, A vida é uma eterna ciranda a nos conduzir prá lá e pracá... e em uma destas voltas viemos para Tere...

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